Por Diogo Travagin em 17 de novembro de 2012

Estórias da publicidade: Atendimento x Diretor de Arte em uma pequena agência

– João?! João?! Joooãããooo?!

– Hey, relaxa, cara. Não vê que estou no chat conversando com uma gatinha?

– João! Ferrou, cara. O cliente… o cliente quer modificar aquela logo que você fez…

– Carlão! Segura a onda, cara. Você está muito nervoso. Pega uma “beer” pra nós na geladeira.

– O que foi que você disse? Você não está me escutando, João. O cliente quer as modificações para amanhã. Não vai dar tempo se você ficar aí sentado de conversinha com a mulherada e bebendo cerveja.

– Ei. Ei. Ei. Calma aí, cara. Eu não estou de papo furado com a mulherada. Eu estou na caça de um grande amor. Por isso eu converso com várias para verificar afinidade. E você está me atrapalhando. Senta aí e relaxa.

– Você esta maluco, João? Eu não sei mexer com o coreldraw. Mal sei usar o paint. E se você não começar o trabalho logo, nós vamos perder o cliente.

– Cliente? Aquele zé mané da padaria ali da esquina que só quer nos pagar com pão, presunto e queijo?Hahaha. Ele que espere. Não tem direito de exigir muita coisa não.

– Não esqueça que você só toma café da manhã graças a ele. O cara é gente fina. Não pode pagar com dinheiro agora, mas quem sabe com a gente o ajudando, a padaria cresce e sobram uns trocos pra nós.

– Carlão, não sonha. Aquela padaria não vai crescer muito mais do que aquilo, não. O cara não está nem aí para a empresa dele. Prova disso é que ele nos contratou. Você nem formado ou curso técnico tem. Você sabe lidar com pessoas, por isso está no atendimento.

– Ele nos contratou porque no dia em que ele veio até aqui, você deu o “migué” de que nós éramos formados, estávamos começando e precisávamos de um apoio pra início.

– Uma mentirinha de leve. Não vai matar ninguém.

– Mas não é justo, João. Então eu vou lá falar para ele que não daremos conta e que ele pode procurar outra “agência”.

– Você não vai. Dê-me o que ele escreveu para modificar. Em30 minutos estará pronto.

– 30 minutos? Não sei não.

– Relaxa. Sou fera no corel.

30 minutos depois…

– Mas o que é isso? Está a mesma coisa, você só inverteu a ordem de alguns objetos e mudou a cor. Como vou entregar isso?

– Carlão. Fica tranquilo. Ele vai achar lindo. Nem vai notar que só invertemos algo. Vai por mim.

– Se ele notar e falar merda, vou pedir pra falar direto contigo. Não vou levar a bronca sozinho. Até mais.

No outro dia…

– João, você é um gênio! Ele aceitou e disse que ficou muito bom. Logo você irá concorrer a muitos prêmios.

Esta é uma estória criada para que profissionais da área e clientes possam refletir sobre este tipo de situação que não é difícil de encontrar por aí. Há empresas que na hora de contratar uma “agência”, muitas vezes, só vê o valor de orçamento e acaba optando por contratar pseudo-profissionais para “cuidar” de suas marcas e acaba por ter o resultado tão bom quanto o serviço contratado. Valorize e procure informações sobre a agência que você vai contratar. Não olhe só para o valor, mas para a qualificação, estrutura e atendimento que a agência prestará a você.

Para os profissionais, fica a dica: não dê atenção apenas a empresas de médio e grande porte. Não pense só na grana e retorno que ela lhe dará. As vezes o cliente de menor porte pode lhe trazer menos dor de cabeça e maior reconhecimento. Se a única forma dele poder pagar pelo serviço no momento for permuta, aceite. Ajude-o a crescer e a recompensa será melhor lá na frente.

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