Por Lenivaldo Silva em 11 de julho de 2013

Marketing de Guerrilha – Comunicação de Impacto e Baixo Custo

 

Ele não é novo, mas ainda assim, muitas dúvidas e confusões a respeito do assunto circulam nos corredores de faculdades e por que não dizer, no mercado da comunicação como um todo. O Marketing de Guerrilha surgiu como uma proposta de se fazer comunicação de baixo custo, justamente para aquelas empresas que dispõem de poucos recursos para investimento nos grandes meios de massa.

Porém, algo aconteceu no meio do caminho e essa forma de fazer marketing passou a ser usada também pelas grandes empresas de modo a complementar o seu mix de comunicação, tendo em vista que hoje é cada vez mais difícil despertar a atenção dos consumidores através dos meios tradicionais.

Trocando em miúdos, Marketing de Guerrilha é impactar os consumidores através de métodos diferentes, longe dos altos valores de investimento em rádio, TV e jornal. Tratando-se de pequenas empresas, é basicamente “se virar com o que tem”. Para isso, existem diversas ferramentas que podem ser usadas. A seguir, algumas das mais comuns.

Intervenção urbana

Caminhando pelas ruas, principalmente nos centros comerciais, podemos perceber como é grande o número de placas, outdoors, fachadas. A Intervenção Urbana é uma ferramenta de guerrilha que interfere na paisagem comum, fazendo com que a comunicação se sobressaia frente àquele grande número de informação. Sua principal característica é mexer com a paisagem.

Marketing de Guerrilha 01

Um bom exemplo de Intervenção Urbana foi o realizado pela Slovak School Archery Club, uma escola de arco e flecha da Eslováquia. Eles colocaram maçãs sobre a cabeça de algumas estátuas, fazendo menção a clássica lenda de Guilherme Tell. Resultado: aumento significativo no número de matrículas e investimento em marketing a preço de adesivos e duas dúzias de maçãs.

Performance

O conceito de performance em Marketing de Guerrilha muito se assemelha ao de Intervenção Urbana, tendo principal diferença a linguagem corporal e a expressão artística para a transmissão da mensagem no local determinado. Ela pode acontecer por meio de apresentações corpo a corpo, shows relâmpagos, teatro nas ruas, passeatas, enfim, vai da criatividade de quem está comunicando.

Para comunicar os produtos da Limited Edition, uma loja de miniaturas colecionáveis em São Paulo, a agência Age Isobar foi buscar referências nos brinquedos tradicionais e colocou “estátuas vivas” como soldadinhos de plástico em algumas ruas da capital. Uma estratégia que conseguiu atrair a atenção de muitas pessoas, não só pela originalidade, mas por conduzir às memórias de infância. Afinal, marketing de guerrilha também é emoção.

Emboscada / Ambush Marketing

A emboscada é uma ferramenta de guerrilha que tem como objetivo tirar proveito de eventos patrocinados por outras marcas, pagando pouco ou até nada pela exposição. Geralmente, são duas razões básicas que levam uma empresa a optar por essa estratégia: altos custos das cotas de patrocínio ou impossibilidade de participar como patrocinadora de um evento.

Devido ao seu caráter “invasor”, a emboscada é considerada por muitos uma prática desonesta. Hoje os comitês de eventos estão cada vez mais atentos a isso, principalmente os de grande exposição, muito embora ainda não existam leis específicas que punam esses atos. Porém, o patrocinador oficial que se sentir prejudicado devido alguma prática de marketing de emboscada pode recorrer por concorrência desleal, com base no artigo 1.147 do código civil.

Marketing de Guerrilha 02

Um dos exemplos de emboscada mais bem sucedidos por sua estratégia e exposição em nível mundial foi realizado pela cerveja Brahma na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Já com uma campanha nos meios tradicionais que assinava com o slogan “Brahma, a cerveja número um”, a marca espalhou flyers, camisas e uma bandinha que não parava de tocar o jingle da campanha nos jogos amistosos antes da Copa. Sempre posicionada perto das cabines da imprensa, era inevitável que o som do jingle vazasse nas transmissões de rádio e TV.

Como se não bastasse os bons resultados por aqui, a Brahma também resolveu agir em solos americanos. Tendo como garotos propaganda Romário e Bebeto, cada gol da seleção era propositalmente comemorado com o dedo indicador levantado.

Enfim, são muitas as ferramentas que podem ser usadas no Marketing de Guerrilha de modo a gerar mídia espontânea nos veículos de massa e nas mídias sociais. Ótimos exemplos que mostram que o Marketing de Guerrilha não é só uma tendência, mas uma ferramenta pela qual toda e qualquer empresa pode tirar proveito frente às transformações que estão acontecendo no mercado.

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