Por Gabriela Araújo em 27 de janeiro de 2014

Quando o produto pode causar a morte do seu garoto-propaganda

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O cowboy da Marlboro, conhecido como “Marlboro Man”, é o personagem da considerada uma das campanhas publicitárias mais brilhantes de todos os tempos.

Criado pela Leo Burnett Worldwide, diziam ser “comerciais que vão trazer novos fumantes para o Marlboro” [que transmitem] “a imagem certa para capturar a fantasia da juventude… [e projeta] um símbolo perfeito de independência e rebeldia individualista”.

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Todos sabem que as maiores contas publicitárias vinham das empresas de cigarros, na época em que os males do produto não eram conhecidos. Porém, o falecimento recente do ator Eric Lawson reabriu a questão da controvérsia da aclamada campanha: no total, 5 atores que interpretaram o Marlboro Man vieram a óbito por doenças pulmonares. Coincidência?

  • David Millar, Jr., o original Marlboro Man, morreu de enfisema em 1987;
  • David McLean, morreu de câncer de pulmão aos 51 anos;
  • Dick Hammer, o único que não era um cowboy na vida real morreu de câncer de pulmão, mas não era fumante.
  • Wayne McLaren, morreu de câncer de pulmão em 1992, aos 52 anos. McLaren testemunhou a favor da legislação antitabagismo na idade de 51, e durante o tempo de ativismo a Philip Morris (empresa multinacional produtora de tabaco) negou que a McLaren já tivesse aparecido em qualquer anúncio de Marlboro. Em resposta, o ator recolheu o depoimento de uma agência de talentos que o representou e um cheque de pagamento confirmando que ele tinha sido pago para um trabalho “impresso da Marlboro”.
  • Eric Lawson, que era fumante desde os 14 anos, foi contratado para participar nos anúncios da Marlboro entre 1978 e 1981. Morreu com câncer no pulmão, aos 72 anos no dia 10 de janeiro de 2014.

Posteriormente, campanhas antitabaco ironizando o cowboy da Marlboro foram criadas, citando inclusive a doença do primeiro Marlboro Man.

“Bob, eu tenho enfisema.”.
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“Eu sinto falta do meu pulmão, Bob.”
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Esses acontecimentos provaram que nem a melhor propaganda pode esconder para sempre um produto ruim. Porém, os consumidores não tem a menor ideia do que está acontecendo, mas as grandes indústrias e suas agencias de publicidade tem suas vidas nas mãos – para o bem ou para o mal.

Pensando assim, me sinto na profissão mais poderosa do mundo. Mas, ao mesmo, nós publicitários também não somos atingidos por esta onda de informação e desejo que as grandes marcas provocam? Fica a reflexão.

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