Por Lucas Mello em 4 de fevereiro de 2014

Menos é mais – A importância de se falar pouco

Estados Unidos. Anos 50. A população estava acostumada a carros enormes, que representavam o consumo e a superpotência em que o país havia acabado de se transformar. Era a época do “Baby Boomer”, e os automóveis destinavam-se a transportar essas grandes famílias em expansão e saciar a “obsessão americana por carros musculosos”. Foi então que em 1959, um certo publicitário chamado Bill Bernbach, recebeu uma missão quase impossível. Dizer aos norte-americanos, ainda com a Segunda Guerra Mundial fresca na memória, que o Fusca, da montadora alemã Volkswagen, era o carro ideal. Um carro que ia de encontro a toda a cultura daquele país. Pequeno e pouco atraente no quesito design e tecnologia. Como conseguiu contornar esta situação? Simples. Ele revolucionou a propaganda.

anuncio fuscar

 

Antes os anúncios continham textos enormes, que discorriam sobre todas as características e benefícios do produto enquanto contavam com o precioso tempo do consumidor. Para se ter uma ideia, muitas vezes não eram nem os redatores quem criavam os textos, mas sim escritores literários, que usavam e abusavam da Língua Portuguesa e todas as suas estratégias para dar os efeitos desejados. Então, nosso querido Bill dá um tapa na cara da sociedade e solta uma frase de apenas duas palavras: “THINK SMALL”. Curto e grosso, foi direto ao cerne do produto. E a campanha foi um tremendo sucesso.

Pronto, estava mudado o rumo da publicidade. Foi aí que surgiu a incansável luta para representar o conceito de forma rápida e inteligente. Aos poucos os textos gigantes deram lugar às pequenas frases, com sacadas inteligentes, que resumiam ao máximo tudo o que tinham para falar, poupando tempo.

E finalmente chegamos à Era Contemporânea, onde dispomos apenas de milésimos de segundos quando os leitores viram a página de uma revista, ou temos de lidar com a impaciência de um telespectador enquanto espera seu programa voltar dos comerciais. O que dizer então do desafio de chamar a atenção dos motoristas das grandes metrópoles brasileiras, que mal têm tempo de notar um outdoor? Esta é a era onde o “Menos é Mais” reina absoluto e soberano. Onde poucas palavras devem completar o serviço, e ainda correm o risco de serem substituídas pelas famosas imagens que valem mais de mil delas. Palavras que já não são mais tão importantes e muito menos prendem a atenção do nosso target, que preza muito mais pela vivacidade de uma imagem, um trocadilho inteligente ou uma piadinha que lhe arranque um sorriso bobo.

E é assim que nós publicitários, marqueteiros ou comunicadores em geral devemos ser. Rápidos, sucintos, resumidos, direto ao ponto. Por isso, se alguém me pedir um conselho sobre o que dizer e mostrar à algum consumidor, serei curto e grosso. Fale pouco, fale o certo.

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