Por Felipe Ferreira em 25 de fevereiro de 2016

Vamos falar sobre marketing e o sucesso de Deadpool?

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Antes mesmo de sair de cartaz, Deadpool tem alimentado as mais diversas opiniões sobre o futuro dos filmes de heróis e sobre a importância de um bom trabalho de marketing. Sendo assim, resolvi entrar no clima e analisar a estratégia de divulgação utilizada. Inicialmente, vamos conferir o mega infográfico elaborado pela agência Iinterativa.

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Deadpool foi um sucesso e sua campanha de divulgação não fez por menos. Vamos tentar descobrir o que passou na cabeça dessa galera, mas deixando de lado aquelas ações usadas em qualquer lançamento de filme, tais como o teaser/trailer, vazamento de vídeos e spoilers, os cartazes criativos, as fotos do set de filmagens, entre outras. Vamos pensar apenas naquilo ligado ao lado particular do filme.

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Não, péra! Estamos no filme errado!

Sim, estamos, mas eu vou explicar.

Star Wars: O Despertar da força foi outro sucesso de bilheteria. Entretanto, a repercussão já era prevista pelo fato de ser Star Wars. Agora, analisando o buzz em torno da obra, podemos observar que grande parte desta repercussão se garantiu na ansiedade dos fãs com o novo capítulo e nas especulações sobre o enredo.

Boba Fett realmente morreu?

Será que a Disney vai dar conta de manter a qualidade e o sucesso da saga?

Quem é aquele cara com um sabre em formato de cruz?

Teremos um protagonista negro?

Star Wars arrebentou (no bom sentido da palavra) e por isso escolhi esse exemplo no qual a divulgação foi bem diferente do marketing usado para o filme do nosso anti-herói. Deadpool não é um cara bonzinho tipo Clark Kent, tampouco um sujeito mau e arrogante como o Loki. Ele é um cara irreverente, insano e contraventor. Imprevisível. Isso abre espaço para abordagens ligadas ao humor, sarcasmo e ironia que dominam a internet.

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Imagine um pôster do Superman mandando beijinho? Isso nunca iria colar. Você usaria emoticons do Wolverine mostrando a linguinha? Nos dois casos é mais fácil quando se trata de Deadpool.

Voltando a falar da Força, a divulgação de Star Wars focou naquilo que o filme “poderia ser/iria apresentar”, focando na 3° pessoa do singular e plural (o filme, os participantes). Isso se deve ao peso tradicional desta franquia e aos vários personagens fodásticos. No caso de Deadpool, o cara simplesmente toma conta de tudo, tem personalidade forte e não divide o estrelato com ninguém. Isso permite que a estratégia de marketing tire o foco da 3° pessoa e jogue na 1° primeira pessoa do singular. Ao invés de alimentar sobre como o filme será e o que vai acontecer com os personagens, o marketing é afirmativo, dizendo “eu sou assim e você me verá assim”. Acredito que não houve uma campanha para divulgar e vender o filme do Deadpool, mas sim uma campanha para divulgar e vender o Deadpool. Pode parecer confuso, mas isso muda tudo.

Ao optar em vender o personagem, abre-se um universo de possibilidades criativas, pois campanhas para divulgar filmes podem ter limites, mas o Deadpool não tem limites. É como se fosse um super job que permite super provocações, super ousadias, e ainda fornece um escudo contra qualquer tipo de polêmica. É possível dar vida ao protagonista e fazê-lo interagir com datas comemorativas e notícias do cotidiano.

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Os produtores do filme trabalharam duro para reproduzir nas telonas um longa fiel aos quadrinhos, e a campanha de divulgação conseguiu andar de mãos dadas com esse objetivo, graças ao talento dos profissionais envolvidos que conseguiram acertar em cheio o mote a ser usado no planejamento de comunicação. Liberdade criativa na mão de gente talentosa só pode ter um resultado: sucesso.

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