Por Fabio Queiroz em 28 de março de 2016

O contato entre décadas de conhecimento

A existência humana é um fato a qual a ciência não pode negar. Pois temos a consciência de nossa existência devido a percepção de um determinado espaço a qual preenchemos, que coexiste relativamente com nossa habilidade de nos manter vivo. Fazemos parte de um mundo coexistente, onde a necessidade é a mãe daquilo que se cria. O ar que respiramos, o alimento que colhemos ou as descobertas que fazemos, estão interligados em um processo evolutivo que depende da capacidade de um determinado ser em um determinado contexto.

A maior descoberta do homem até hoje foi a fé. Não observe essa afirmação com uma perspectiva exclusivamente religiosa, somos bilhões de pessoas e julgá-la com apenas uma visão não te faz um ser sábio e te limita. A fé pode estar ligada com a ciência, quando acreditar na dúvida em ascensão dentro de você te dá a certeza de que não saber a resposta é o que vai te incentivar a continuar procurando-a. A motivação que irá te fazer ir atrás das questões não respondidas é inerente ao valor qualitativo que aquela pergunta desperta em você.

Em ‘’Contato’’(1997) de Robert Zemeckis baseado em um romance do Carl Sagan é evidenciado a possibilidade de vida no universo através de uma frequência disseminada pelo planeta Vega. O sinal captado pela Dra. Eleanor Arroway (Jodie Foster), é a prova de uma descoberta que pode vir a ser a maior já encontrada na história da humanidade. A luta pelo equilíbrio da informação, gerada pelo sinal, é de valor tanto científico quanto religioso, o que abre a trama e a leva a se desenvolver com discussões inteligentes entre o que é do direito da humanidade e da ciência, analisando pela perspectiva de que somos um mundo majoritariamente religioso, e a ciência é um conhecimento de poucos homens e mulheres.

A tecnologia entra no longa como um suporte para potencializar a capacitação humana de realizar e criar um processo sinérgico, que tem como objetivo resultar na evolução de nossa espécie. Um olhar visionário levando em conta que no ano do filme entrávamos em uma fase de mobilidade tecnológica, graças a equipamentos e a internet. O tema é bem abordado e edifica uma base congruente para quem é mais especializado no assunto. Robert Zemeckis se preocupou em deixar a trama o mais verossímil possível e idealizou a maneira mais eficaz de um suposto contato com seres de outro planeta.

‘’O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida.’’ Carl Sagan

Esta frase vai de encontro àquela usada para iniciar o segundo parágrafo deste texto. Quero salientar que a fé é antes de um pecado, uma criação humana. Necessitamos dela para nos mantermos atraídos pela vida e suas bilhões de respostas que ainda não encontramos. Somos uma entidade que busca dialogar com seres que ainda nem sabemos que existem só para provar que não estamos sozinhos. O que há de tão assustador nisso? Um grande desperdício de espaço se estivermos errados.

‘’Contato’’ capta a essência de perguntas que vivenciamos diariamente e nos mostra um modelo de resposta, necessariamente ele não é verdade, mas naquele momento supre a nossa busca por ela, nos dando dúvidas, algo a qual sempre deveríamos estar abertos a receber. A humanidade e a mídia são mostradas pelo seu poder de opinião popular, que muitas vezes é a errada e nem sempre é a certa, o que desperta e coloca em conflito o nosso critério do que é justiça. Pois somos as vítimas que possuem pouca noção do que acontece a nossa volta? Ou os culpados em optarmos em sermos as vítimas?

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O ceticismo e a teologia caminham lado a lado em um dos melhores filmes do Robert Zemeckis (Forrest Gump). O roteiro é assinado por James V. Hart (Drácula de Bram Stoker) e Michael Goldenberg (Rosas da sedução), Carl Sagan deu sua contribuição para realização do longa ajudando a desenvolver o conteúdo abordado, além de ser o autor da obra original. O elenco também conta com Matthew McConaughey (Interestelar), Tom Skerritt (Alien, o 8º passageiro) e John Hurt (Harry Potter e as relíquias da morte)

Deixo aqui uma pergunta de teor interpretativo tanto científico quanto religioso, com a intenção de apenas abrir uma discussão: Nós realmente não estamos sozinhos no universo, ou criamos a possibilidade da existência de alguém no universo para provarmos que não estamos sozinhos?

Ou em outras palavras: Ao invés de estarmos a procura de um Deus, por que não ir à procura de quem o criou?

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