Por Camilla Ferreira em 25 de julho de 2016

A música na vida de um publicitário

Música e propaganda estão casadas há muito tempo, e essa união contribui para a harmonia e o sucesso de muitas campanhas publicitários.

“Pipoca e Guaraná”, a “Porque somos mamíferos”, da Parmalat, e a “Poupança Bamerindus” são exemplos do quanto essa troca de alianças deu e dá certo. Tão certo que atinge diretamente a vida de quem está por trás da criação das peças.

É muito comum vermos publicitários que tem uma forte ligação com a música, e mesmo com todo corre-corre do cotidiano, encontram espaço pra ela.

Entrevistei um deles: Guilherme Nesti, redator sênior da LOLLA MullenLowe, que além de vários prêmios na propaganda, também teve duas bandas.

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Confira:

Quando foi o seu primeiro contato com a música?
A minha irmã, cujo quarto era do lado do meu, gostava de escutar Guns n’ Roses nas alturas. E meu pai sempre colocava Chet Batkins, Jimmy Rogers, Buddy Guy, Etta James e outros nomes do jazz e blues para tocar no fim de semana inteiro. Acho que toda essa exposição massiva me deixou interessado.

Por que você se interessou pelo universo musical? Houve alguma influência, ou foi por curiosidade?
Pelos dois. Depois dessa influência da minha família, me aprofundei por pura curiosidade de conhecer outros artistas. Assim, comecei a forjar meu próprio gosto musical.

E pelo universo da propaganda? A música chegou a interferir na escolha pela profissão?
Na verdade, eu achava que ia viver de música e não tava dando certo. Trabalhar com criação foi uma alternativa que eu me interessei com mais “futuro”. Não vejo tanta coisa em comum entre as duas áreas. Claro que, quando você faz um jingle ou escolhe a trilha de um filme, exerce conhecimento musical. E o exercício criativo de compor uma música é tão intenso quanto o de criar um anúncio. Mas, no grosso do dia-a-dia, acredito, existem profissões mais conectadas com música do que publicidade.

Como a música se faz presente no seu cotidiano? 

No meu fone de ouvido no volume máximo ligado no Spotify. Além disso, tive duas bandas com amigos publicitários.

Como ela influencia no seu processo criativo?
Ela atrapalha, na verdade. Sou tão analítico com música, que me distraio ouvindo. E perco o foco fácil.

Nas várias campanhas que criou, existe alguma em especial que você usou como referência o trabalho de alguma banda?
Não o trabalho de uma banda. Mas a minha vivência como músico. Uma vez, lá em 2010, criei com dois amigos o Pôster Amplificador, para a Rádio 91 Rock de Curitiba. Era um amplificador desconstruído que, certamente, quem não tem tanta prática como músico, poderia ter um pouco mais de dificuldade para visualizar como ideia.

Para você, o quanto a música influencia na propaganda?
A propaganda usa como referência várias formas de cultura: literatura, cinema, televisão, teatro e, claro, música. Se pesquisarmos, podemos ver milhões de trabalhos que usam música como referência, sendo jingles ou não. A campanha de Fiat Strada 2014 é um grande exemplo do uso de música como referência. Pegaram uma música super conhecida no Brasil e a usaram pra citar um feature do produto: a música canta “um, dois, três” e eles falaram das três portas do carro. “Should I Stay or Should I Go”, do Clash, só fez esse sucesso brutal porque embalou um comercial da Levi’s.

A música é tão importante como referência publicitária, que já fez até o caminho contrário. Uma agência de publicidade brasileira, a W/Brasil, já inspirou uma música do Jorge Ben Jor.    

Para conhecer mais o trabalho do Guilherme Nesti, acesse: http://cargocollective.com/gnesti.

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