Por Bia Vasco em 6 de setembro de 2016

Harley Quinn – Esquadrão Suicida e a representatividade feminina.

“Objetificada, a personagem serviu para seduzir o público masculino, fãs de HQs e filmes relacionados. Vulgarizada, escravizada, abusada e pouco valorizada, não recebeu um grande super poder.

Um produto para criar tendência e ser vendido para homens e mulheres em todo mundo. Basicamente, uma boneca comercial de traços…”

Este é o texto que, talvez, a maioria espere. Mas que tal falarmos de representatividade além da aparência e do “que todos estão falando”?

Harley Quinn

Antecedendo a estreia de Wonder Woman, recentemente tivemos mais uma “heroína” em evidência, a Harley Quinn, do filme Esquadrão Suicida, que chegou nas telas mês passado (agosto).

Dentro de um contexto de recrutamento, a personagem foi escolhida para integrar uma liga de “super defensores”, e aparece delicadamente embalada em seus lençóis, como um artigo de decoração de luxo meio exótico – mas durante o filme consegue desfazer todo esse mimo.

Harley, de certa forma, absorve vários esteriótipos maldosos sobre a natureza feminina. A própria se diz irritante, é temperamental, um tanto carente, extremamente vaidosa, enfim…
Por mais que carregue muitos desses rótulos sobre o feminino, ela, assumidamente, não se envergonha disso: aparece como uma mulher em seu universo particular, caricata e independente. Dentro do seu histórico mostrou várias fases da vida de diversas mulheres: a jovem, a profissional, a apaixonada, a sonhadora, a frustrada, e muitas das infinitas que podem, e são vividas, atualmente.

Houveram pessoas que denominaram sua paixão doentia e relacionamento sádico com o Coringa (um dos vilões mais cruéis existentes) como relacionamento abusivo.

Harley e Coringa

Se formos levantar a questão do “relacionamento abusivo”, deixamos de notar a força e superação da personagem, e a transformamos em uma escrava – Vítima de um vilão cruel, não valorizando a sua força e coragem… – Quando, na verdade, sua coragem, e iniciativa em arriscar a própria vida pelo que desejava, força-a “se jogar”, transformando-a em uma grande mulher.
Um final de relacionamento trágico com um ícone dos vilões não a tornou algo descartável na trama.

Analisar a personagem apenas como uma vítima é tirar dela um mérito de superação que deveria estar presente em todas as mulheres. Precisamos manter acesa a imagem da guerreira para que uma guerreira seja respeitada.

Sem dificuldade, qual seria o sentido da vitória?

 

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