Por Felipe Ferreira em 13 de setembro de 2016

A comunicação no atual cenário brasileiro

Zeitgeist. Esse é um termo de origem alemã que significa “o espírito da época”. Algo como o conjunto da situação cultural, econômica e social dentro de um período. O clima, o modus operandi de uma sociedade em um determinado momento. Captá-lo seria o equivalente a entender o que se passa, embarcar na onda, cair a ficha e pegar o espírito da coisa. Vamos pensar no Zeitgeist brasileiro?

Antes de seguirmos, entenda que sim, este é um texto polêmico, mas longe de defender posicionamentos políticos. Se trata de uma análise do momento sob a visão publicitária, pois apesar de não estar explícito, uma observação mais clara sobre o Zeitgeist mostra que as coisas vão além da política e economia. Observa-se o duelo de duas grandes narrativas com seus erros e acertos, informação e desinformação, criando aliados e também inimigos. Uma luta intensa em busca do apoio de setores sociais e opinião pública, envolvendo áreas como a sociologia, economia, direito, história, relações públicas, jornalismo, além da publicidade.

Não é difícil encontrar publicitários alheios cujo o nível de profundidade se resume aos programas de rádio ou portais de notícia. Não que isso seja errado, é algo muito importante. Entretanto, o Zeitgeist aponta uma verdadeira “guerra de comunicação” entre essas duas narrativas que utilizam diversos “armamentos”, indo desde correntes de WhatsApp e links patrocinados até intervenções urbanas e ações coordenadas em redes sociais. Estamos vivendo um período único na história do país, e assim muitos cientistas entendem que, apesar de ser algo ruim, uma epidemia traz a oportunidade de adquirir mais conhecimento. A atual situação traz consigo um verdadeiro ambiente de estudo em comunicação, especialmente nas áreas de mass media, gerenciamento de crise, mídias sociais, marketing político e institucional.

Coxinha, Petralha ou Isentão?

Sinceramente, o seu posicionamento político não pode ser um obstáculo na hora de analisar e interpretar as técnicas de comunicação que estão sendo utilizadas, desde que você mantenha cautela, pois é preciso muito cuidado antes de dar um passo neste terreno. O clima é bom para absorver informações, mas é ruim para tentar qualquer tipo de ação que possa ser interpretada como posicionamento político. Algumas marcas se arriscam, e um exemplo foi a rede de fast food Habib’s. 

Propaganda bem elaborada, mas ousada (no bom sentido) por andar na corda bamba sem ter medo de cair.

Se retrocedermos cerca de 10 anos, expressões como “patrulha moral”, “mimimi” e “reacionário” não tinham metade da importância que possuem agora. Os tempos são outros. Os ânimos são outros. Manter uma distância segura deste caldeirão é importante, mas é interessante não desperdiçar o momento deixando de lado o enorme campo de estudo que ele proporciona, ora para adquirir conhecimento, ora para não cair em armadilhas.

Pelo tanto que se fala em patriotismo, empoderamento, inclusão e desprestígio, a campanha da Vogue caiu direto na armadilha do Zeitgeist gerando uma enorme repercussão negativa. Em outras situações e por motivos diferentes, muitas marcas chegaram à beira do boicote.

Imagem: Reprodução da Internet.

Imagem: Reprodução da Internet.

As campanhas publicitárias, sem dúvida, precisam arriscar porque isso faz parte da publicidade, mas quanto maior o alinhamento com o “espírito da época”, menores serão as chances de enfrentar turbulências. Além disso, o Zeitgeist brasileiro é extenso a ponto de preencher um grande livro, mas no que envolve a comunicação, temos uma oportunidade única de enriquecer nossos conhecimentos por meio da observação e análise das técnicas utilizadas pelas narrativas para defender seus respectivos pontos de vista.

 

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