Por Wando Nascimento em 19 de setembro de 2016

Podcast – “pode o quê?”.

Na sala, o professor pergunta: “alguém conhece podcast aqui?”. Fiquei impressionado com a resposta, já que apenas eu e mais duas, ou três pessoas, conheciam. Mesmo depois de 12 anos do surgimento do 1º podcast pelo Jornal The Guardian, ainda escuto quando comento com alguém: “pode o que?”. Isso mostra o grande número de pessoas que ainda não conhecem essa mídia, ou não entenderam os benefícios que ela proporciona.

“O termo “podcast” é creditado a um artigo do jornal britânico The Guardian em 12 de fevereiro de 2004, mas, nesse primeiro momento, o termo não se referia ao formato de transmissão com RSS, o que só aconteceu em setembro daquele ano, quando Dannie Gregoire usou o termo para descrever o processo utilizado por Adam Curry.”  

A palavra “podcasting” é uma junção de iPod – marca do aparelho de mídia digital da Apple Inc., de onde saíram os primeiros scripts de podcasting, –  com o sufixo “casting”, originado da expressão inglesa broadcasting, que significa “transmissão”.  O autor de um podcast é chamado podcaster.

O termo faz referência ao iPod, porém os podcasting podem ser ouvidos no seu computador através do downloads feitos diretamente do site do podcaster, ou em qualquer smartphone. 

Apesar de estarmos fazendo outras coisas como exercícios físicos, indo trabalhar de ônibus ou de carro, podemos, ao mesmo tempo, aprender algo novo ouvindo um podcast. Desde aprendendo ou aperfeiçoando o inglês, passando pela cultura Nerd (Nerdcast), cinema, discussões sobre a cultura LGBT, empreendedorismo (Gvcast)  e feminismo (Mamilos, criado pela B9).    

Eu já conhecia os podcasts, mas foi somente quando um amigo indicou  o Portal Café Brasil, com Luciano Pires, que entrei de cabeça, ou melhor, de ouvido, nessa mídia. Ouço me deslocando de um lugar para o outro, quando estou na academia e até antes de dormir. As vezes acho que meu dia fica faltando algo quando não escuto. De tanto ouvir até criei meu próprio podcast, o Divã do Empreendedor Digital

Fenômeno ‘Serial’

Um dos podcasts com maior repercussão é o “Serial, criado em 2014 e apresentado pela jornalista norte-americana Sara Koening. O episódio foi um fenômeno mundial e alcançou mais de 80 milhões de downloads  na primeira temporada. Utilizando a técnica de storytelling, os programas analisavam os detalhes de um grande crime sob o ponto de vista de várias pessoas envolvidas para destrinchar contradições e resolver mistérios.

Segundo o site Mundo, o podcast “Serial” impressionou até Hollywood. Diretores como Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) e Beau Willimon (House of Cards) são fãs incondicionais do programa.

Podcast no Brasil

São 1.034 programas ativos no país, e o primeiro podcast brasileiro foi o Digital Minds,” de Danilo Medeiros, em 21 de outubro de 2004. 

O mais popular deles é o Nerdcast, do site de cultura pop Jovem Nerd, que tem em média 1 milhão de downloads por episódio.

Desde  2004, muitos podcast desapareceram e muitos outros surgiram. Entre os mais antigos estão o Portal Café Brasil, que pratica uma espécie de “fitness intelectual”, ajudando a manter seu cérebro em forma. Luciano, o idealizador do projeto, tenta “despocotizar” o Brasil. 

“O termo “despocotizar” vem de “pocotó”, neologismo inspirado no “funk” da Eguinha Pocotó que fez imenso sucesso no Brasil entre 2002 e 2003. “Pocotizar” é fazer com que as pessoas que, tendo oportunidade de escolha, permaneçam estagnadas. Consomem sem qualquer cuidado o que a mídia lhes serve, adotam todos os modismos criados pelos marqueteiros, resistem o que é novo e, principalmente, recusam-se a praticar a nobre arte da reflexão crítica.”

Escriba Café trata sobre o homem, seu mundo e o universo! Um podcast que te levará a incrível história do mundo e seus mistérios. Um dos episódios que eu mais gostei foi a Mansão Winchester que fala sobre a misteriosa mansão que nunca terminava de construir e a história de um filho bastardo chamado Leonardo da Vinci. 

Além dos citados, há o Impressões Digitais, Irmaos.com, Melhores do Mundo, Podsemfio, Radiobla, Rapaduracast e Ricardo Vargas podcast.

2015/2016: o grande “boom” dos podcast. 

Em 2005, os podcasts tomaram uma grande proporção e ocorreu a primeira edição da  Conferência Brasileira de Podcast (PodCon Brasil) –  primeiro evento brasileiro dedicado exclusivamente ao assunto. No entanto, no mesmo ano ocorreu também o chamado “podfade”: o fim de vários podcasts no Brasil e no mundo pelas mais diversas razões.

Agora em 2015/2016, acredito que com a popularização dos smartphones, tenha sido o grande ano dos podcasts.  Nos EUA, o Instituto Edison monitorou a relação dos norte-americanos com os podcasts e identificou que os fãs migraram em peso para os smartphones e tablets. Em 2013, 58% deles usavam um computador. Hoje, 71% ouvem em dispositivos móveis.

No Brasil, o Gvcastpodcast do Geração de Valor, apresentado pelo próprio Flávio Augusto (Meu Sucesso), e o Não Salvo, foram os grandes sites que aderiram a essa mídia.

Os podcasts são totalmente democráticos, baratos para criar e qualquer um pode fazer o seu. Basta gravar um áudio pelo Audacity, ou através do seu smartphone, e entender um pouco sobre edição, vinhetas e vírgulas sonoras e está pronto o seu podcast. Diferente da centralização da mídias tradicionais, nos podcasts cada pessoa  pode ser ao mesmo tempo ouvinte e podcaster.  

 

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