Por Israel Lemos em 13 de fevereiro de 2017

A crise do Espírito Santo nas Mídias Sociais

Acho que não há necessidade de explicar o que vem acontecendo no Espírito Santo, visto que vocês devem ter acompanhado pelos veículos de comunicação. Mas gostaria de ressaltar os números: em 7 dias foram 121 homicídios, contabilizados até a última sexta-feira (10). Sem contar o prejuízo financeiro absurdo, que é irrelevante se comparado às vidas que seguem em risco.

Passei a maior parte da minha vida morando no ES. Mais precisamente, dos 4 aos 18 anos de idade, então posso falar com certa autoridade: que lugar maravilhoso. Os capixabas são incríveis e as belezas naturais desse Estado são incontáveis, o que torna ainda mais doloroso. A situação é fora do comum, não é à toa que pouco se ouve falar de lá no restante do país. Mas graças às mídias sociais, começaram a pipocar dezenas de publicações de amigos meus a respeito do que vinha acontecendo nas ruas e comércios, então pude acompanhar um pouco mais de perto.

“Isso nunca tinha acontecido em Vitória, essa selvageria à luz do dia. Vivemos uma guerra civil silenciosa em que, no primeiro descuido, alguém te ataca. Como isso é paz?” – Clécio Lemos, coordenador do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais no Espírito Santo, em entrevista à BBC Brasil.

Ao mesmo tempo em que buscava informações sobre a greve da PM, ocasionada principalmente pelas esposas dos policiais, e a irresponsabilidade do governo, cada vez mais vídeos de depredação e vandalismo surgiam, assustando a todos e colaborando com o esvaziamento das ruas. Além disso, começaram a circular áudios de whatsapp – alguns fakes e outros verdadeiros, como de costume – para intimidar o povo capixaba. E conseguiram. A Grande Vitória foi tomada pelo caos e as redes sociais viraram o local de encontro para troca de informações sobre supermercados e padarias que estavam abertos, enquanto muitos reclamavam por estarem “presos” em casa há dias.

Entretanto, na quarta-feira (8), o produtor cultural Rike Soares teve a iniciativa de dirigir pelas ruas do bairro Jardim da Penha, em Vitória, ao som da música “Imagine” de John Lennon, projetando nas árvores e prédios a tag #SEMMEDO, na tentativa de encorajar e trazer um pouco de esperança ao povo, segundo suas próprias palavras. Vários vídeos foram feitos e compartilhados nas mídias sociais por quem acompanhou e se comoveu com a ação, e a tag foi parar nos trending topics do Twitter.

Também nas redes sociais, vários artistas brasileiros se manifestaram em favor à população capixaba, pedindo a resolução do problema e cobrando as autoridades. Um fato que me chamou a atenção foi um tweet do youtuber com mais inscritos no Brasil, Whindersson Nunes, que segue abaixo:

(Reprodução/Twitter)

(Reprodução/Twitter) 

Mesmo após participar de vários programas da emissora, o rapaz teve personalidade e se posicionou criticando a cobertura da TV Globo, que acredita ter dado pouca atenção à onda de violências no Estado e à greve da Polícia Militar.

Diante de todas essas questões, cabe a nós seguirmos disseminando o que vem acontecendo. Talvez, assim, seja a melhor maneira de ganhar voz nas mídias e veículos comunicativos de maior circulação. Quanto maior for o barulho, mais atenção o assunto ganha. E quanto maior for a atenção, mais pessoas estarão a salvo da violência que assombra o ES.

Orem pelo Espírito Santo. Orem pelo Brasil.

#SEMMEDO. 

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