Por Tiago Bezerra em 8 de março de 2017

Merda pra você

Nada dá mais impacto a uma frase do que falar e virar as costas. Essa frase explica bem o que vou dizer aqui. A forma como o texto é transmitido influencia diretamente na qualidade e compreensão dele. Porque mais do que dizer, é preciso saber como dizer.

Além do que é dito, existe a necessidade do “como” aquilo será dito. Isso serve para texto com humor, texto que faz chorar, pensar, dar medo, etc.

Por exemplo, o que diz se um texto é engraçado ou não é a percepção de quem lê ou escuta. Isso, claro, excluindo as variáveis do dia da pessoa, como falta de sono, de comida, de sexo. Essas coisas.

Para mim, um bom texto precisa de 3 pontos fundamentais: fluidez, entonação e contexto. Acredito nesses 3 pontos fundamentais, porque eles resumem bem tudo que é importante para a compreensão ideal de um texto. Quer um exemplo? Vamos analisar uma palavra: MERDA.

Quanto a fluidez da palavra merda, isso é inquestionável. Merda é curta, tem bom ritmo, merda tem clareza e soa bem em voz alta.

Sobre entonação, a expressão QUE MERDA pode ser dita com raiva ou achando graça. Numa situação engraçada, se você fala “que merda” sorrindo é porque gostou. Se fala sério, não. Tudo vai depender da entonação dada para as palavras.

E o contexto? Já ouviu a frase “Merda pra você”? No teatro, merda é pra dar sorte. Assim como desejar que o outro quebre a perna é para a dança. E esse é o ponto. É no contexto que se concentra a maior parte da ideia de um texto. É no contexto que mora a percepção.

Segundo Paul Arden, “Uma boa ideia é uma solução inteligente para um problema, uma que nunca se viu antes.” Mas essa solução só fará sentido se o problema estiver no contexto do público. Um rato não é problema para uma cobra. Mas é um problemão para um elefante. Tudo é questão de contexto. Um texto sem ideia é merda sem contexto. É, simplesmente, uma merda.

(Imagem/Reprodução)

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Uma pessoa que não sabe que maconha é liberada na Holanda teria a mesma percepção que de outras pessoas?

(Imagem/Reprodução)

(Imagem/Reprodução) 

Será que funcionaria para um carro mais “pobrinho”?

(Imagem/Reprodução)

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Tem gente que não sabe que sal grosso espanta mal olhado. Percebem? Isso é contexto puro. Mas e entonação e fluidez?

Entonação: como vou transmitir essa mensagem? Vai ser all type? Vai ser um texto pra refletir, pra imaginar, pra rir. Isso é muito importante na execução da ideia.

“Título engraçadinho pode cair muito bem para uma cerveja e muito mal para uma mineradora.” Mateus Coelho.

Quer um exemplo da importância da entonação? Imagina uma música com letra satânica em ritmo de ninar. BOI, BOI, BOI. BOI DA CARA PRETA, PEGA ESSE MENINO QUE TEM MEDO DE CARETA. Cruiz Crédu!!

Já a fluidez, essa é a parte que a maioria dos redatores mais se preocupa. É a velocidade que o texto é dito, lido, falado. É ritmo.

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(Imagem/Reprodução) 

O Redator conseguiu transmitir a mensagem com a entonação adequada, abordou um contexto de fácil assimilação e tudo isso sem encher o texto de elementos de ligação: conjunções, preposições e afins que acabam deixando a leitura do texto difícil.

“Sem uma boa camisa, gravatas ousadas são apenas ridículas.” Eugênio Mohallem

Mas não se engane. Fluidez não está apenas em textos curtos. Vejo muita gente julgando texto pelo tamanho. Olha aí um exemplo de texto longo com ótima fluidez.

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(Imagem/Reprodução) 

Dica 01: não escreva se policiando o tempo todo.

“Acho fundamental o processo de escrever bobagens. Elas precisam sair da frente para surgir algo relevante. E, algumas vezes, a bobagem serve como pontapé inicial para uma ideia boa.” – Manuel Rolin. 

Por isso, EXPLORE SEU PONTO DE VISTA:

– Tem gente que o estado mental não passa de uma cidadezinha do interior.

– Um local só é evacuado quando dá merda.

Dica 02: nunca esqueça de soltar o braço.

Merda pra você.

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