Por Tiago Bezerra em 10 de março de 2017

Jab, direto, low.

Quando eu praticava Muay Thai tinha uma rotina de treinos bem interessante. Além dos vários exercícios físicos para aumentar a capacidade respiratória, elasticidade e resistência dos músculos, tinha uma série de sequências de golpes muito bem decorados e ensaiados. Uns quatro tipos de cotoveladas alternando com joelhadas frontais, laterais e aéreas. High kick, que é o chute alto; Low kick, que é aquele clássico chute na coxa; giratório e frontal. Tudo combinado com diversos tipos de socos: jab, direto, cruzado, uppercut, hook. Alguns treinos pareciam até coreografia de filme. Coisa linda de se ver.

Mas aí chegava o dia de colocar tudo em prática no ring contra um oponente de verdade, que se mexia, que variava, que não ficava lá paradão esperando você acertar. Aí a coreografia de filme virava um pega pra capar, uma confusão de braço e perna que ninguém sabe bem mais qual é o objetivo. Coisa feia de se ver.

Se você parar um pouquinho pra reparar, no dia a dia a gente vê coisas parecidas no nosso mercado de propaganda. Estratégias giratórias, ideias cruzadas, anúncios aéreos e por aí vai.

Nessas horas lembro do que meu mestre sempre dizia: o que ganha campeonato é jab, direto e low, se referindo ao low kick. Ele mostrava vídeos de atletas que passavam anos invictos apenas com jab, direto e low. Nocautes certeiros com jab, direto e low. Carreiras grandiosas construídas com jab, direto e low.

Se meu mestre fosse dar um conselho pra quem vai começar a criar, certamente ele diria que nada substitui uma pesquisa consistente, uma visão ampla do negócio do anunciante e o clássico conteúdo relevante para o consumidor.

Pense nisso também. Às vezes o criativo não evolui o job porque esquece que tudo começa com o jab.

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