Por Tiago Bezerra em 7 de abril de 2017

Quem aprova

João tem uma pasta incrível. Um portfólio impecável cheio de anúncios duca@#$%, ações F&%$#@ e mais uma dezena de trabalhos que nunca seriam aprovados pelos clientes. João é contratado, no ato, que isso! Impossível deixar esse talento dando mole aí no mercado. Contrata!

O primeiro job de João orgulhoso, como previsto, o cliente não aprova. Sem neura, é assim mesmo. O segundo também não é aprovado. Relaxa, um dia você acerta a mão, João. Quem sabe no terceiro? Ainda não. Mas é como dizem: ideia reprovada vai pra pasta.

Quarto, quinto, décimo job. João começa a se preocupar e se perguntar: se o trabalho é tão bom, por que os clientes não aprovam? Não sei dizer, João. Sou apenas um modesto autor que tenta entender essa questão com outras perguntas, como: quem diz que um trabalho é bom ou ruim avalia com que tipo de critério? Quem diz que um trabalho que nunca seria aprovado é bom avalia com que tipo de critério?

Mas João não desiste. E isso deixa a gente muito feliz. Afinal, vivemos para encontrar a melhor forma, o equilíbrio entre o que acreditamos e o que é real. Vai na fé, João.

Mas talvez, João, pense nisso apenas por um instante, entre um job e outro. Talvez, o que algumas Agências procuram não esteja em equilíbrio com o que os Anunciantes procuram. Existe uma remota possibilidade de os critérios estarem se desencontrando. Não é culpa sua, João. Não é culpa da Agência também não. Nem do cliente que não abre a mão. É culpa de quem então? Pergunta João. E mais uma vez respondo com um enorme SEI NÃO. Será que é culpa da falta de objetividade nas ideias? Falta de visão de negócio de quem cria e de quem aprova? Ou falta bons argumentos de venda para convencer o cliente? O Cliente que reprova não é dono da razão. De repente, o que é bom para alguns Criativos não é bom para alguns Anunciante e ao contrário também. Mas essa seria uma resposta simples demais, não deve ser isso.

É fim de mais um dia. João que ainda não acertou a mão se cansa de tentar e dá ouvidos a um conselho maduro: crie uma pasta pra chamar de gaveta. Tudo que for reprovado, coloca lá. Depois tenta emplacar pra outro cliente menor que topa tudo que a Agência faz. E um João conformado deixa tudo pra lá sem deixar de se orgulhar. Porque, pelo menos a gaveta, quem aprova é João.

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