Por Liz Arielly em 25 de abril de 2017

De outros tempos, mas sempre no horário.

Tem aquela agência, né? Com sinuca, pebolim, um puff gigante na sala de criação, parede para escrever com giz e, às vezes, rola até um happy hour com pizza e cerveja gratuita. Um ambiente pensado com inúmeros artifícios para aquele momento de incubação.

(Imagem 01 | Foto: InterOffices Ambientes Profissionais)

(Imagem 01 | Foto: InterOffices Ambientes Profissionais)

Não é de hoje que as agências de publicidade têm configurado espaços totalmente descomunais ao ambiente corporativo que estamos acostumados. Aquele tipo de lugar que a gente, enquanto estudante, visita e pensa: “que f*#@, eu quero trabalhar aqui”.

Daí chega esse dia, você começa a trabalhar numa agência assim. E descobre que o chefe faz cara feia se você der uma pausa no trabalho para jogar naquela sinuca, se levar o notebook para o puff… De repente, você está enrolando até se sai da sala de criação duas vezes para tomar um cafezinho. Não, desculpa. Cafezinho pode – publicitário de verdade tem que ser viciado em café. Mas se você levantar duas vezes para tomar água, está fugindo do trabalho.

Se chegar atrasado, não importa se ficar depois do horário: está errado – aqui faço um minuto de silêncio para lembrar de um amigo que chegava atrasado todos os dias, mas todos os dias era o último a sair da agência. Cumpria suas metas, respeitava a deadline. Foi demito.

(Foto: Jornal de Brasília)

(Foto: Jornal de Brasília)

Afinal, qual a lógica de uma puta estrutura física, postagens descontraídas na fan page, se ainda se limitam a um modelo de expediente ultrapassado e a desvalorização da individualidade de cada funcionário? Você é obrigado a produzir de 8h às 18h, sentado na sua cadeira, onde flexibilidade no trabalho não existe e o obsoleto “horário comercial” é dono do seu tempo.

Questiono: por que esse dinheiro não é gasto para oferecer uma boa gestão dos contribuintes? Conhecer a equipe por trás da empresa e gerar uma intimidade entre contratante e contratado. Quão positivo seria o ROI dessa utopia? Afinal, o ponto nevrálgico de qualquer contratação deveria ser o capital humano que aquele funcionário tem a oferecer para a empresa, e não a presença física e imutável em uma sala fechada, em frente ao computador, com horário inflexível.

(Foto: Mad Men)

(Foto: Mad Men) 

Esperam modernizar as idéias, vivendo de valores antiquados. Mas não são os móveis coloridos que colocam boas idéias na mesa. São as pessoas.

 

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