Por Fernando Magnus em 19 de junho de 2017

Empresas Gay-friendly: apoio à diversidade ou oportunismo publicitário?

Em decorrência do Dia Internacional do Orgulho Gay, celebrado em 28 de junho em diversos países ao redor do mundo, o mês de junho vem sendo marcado por ações que visam a luta por direitos e respeito à diversidade. Neste contexto, o termo norte-americano “Gay-friendly” passou a ser utilizado em diferentes partes do mundo (inclusive no Brasil), como referência aos lugares públicos e estabelecimentos privados que são receptivos a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros).

Empresas de diferentes segmentos (algumas inclusive de alcance global) têm explorado o termo  “gay-friendly” através de suas estratégias de marketing para que possam atingir este tipo de público. Porém, apoiar abertamente a causa LGBT tornou-se motivo de destaque positivo (e negativo) para algumas delas.

No ano de 2015, a campanha de Dia dos Namorados do Boticário, que mostra diferentes tipos de casais, heterossexuais e homossexuais trocando presentes, virou alvo de protestos e ameaça de boicote à marca nas redes sociais e até de denúncia ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

Alvo de protesto em 2016, a marca C&A lançou uma coleção de roupas que se destinava a defender a moda sem gênero. O que a empresa não esperava era a reação da cantora gospel Ana Paula Valadão. Através de suas redes sociais, a pastora fez um pedido de boicote contra a empresa. Na publicação ela ainda se disse indignada com a “passividade das pessoas em aceitarem a imposição da ideologia de gênero (sic)” e chamou todos que “conhecem a Verdade Imutável da Palavra de Deus” para não ficarem calados e boicotar a marca. 

Cores à mostra:

Depois do enorme sucesso com as florzinhas que apareciam ao usar a reaction de “Gratidão” no Dia das Mães, o Facebook resolveu dar continuidade nas reações em datas comemorativas. Recentemente, a rede social disponibilizou novos recursos aos usuários em celebração ao mês da diversidade. Um destes recursos é a bandeira de arco-íris, inserida como opção no menu de reações e que pode ser utilizada em posts e comentários.

(Imagem: Reprodução/Internet)

(Imagem: Reprodução/Internet) 

Quem também apostou alto e se engajou na luta pela diversidade foi a marca Doritos. O salgadinho ganhou uma versão colorida (e limitada) chamada “Doritos Rainbow”, resultado de uma parceria entre a empresa e o projeto It Gets Better, que atua na prevenção ao suicídio de jovens da comunidade LGBT. Inspirado na bandeira LGBT (verde, azul, roxo, vermelho e laranja), o produto contará com coloração diferente da versão tradicional. Todo o valor arrecadado com as vendas desta edição limitada será doado para o projeto It Gets Better. 

 

Também no mês de junho, a cidade de São Paulo recebeu a 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Segundo os organizadores do evento, estima-se que 3.000.000 milhões de pessoas tenham participado na edição de 2016. Figurando entre os patrocinadores oficiais do evento, a Skol lançou recentemente a campanha #PraCegoVer. Nela um vídeo mostra a latinha de Skol com a seta mudando de cor para vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e roxo. Depois, a seta fica colorida com o padrão da bandeira do orgulho LGBT, uma listra de cada cor. Aparece a frase: SKOL, redondo é ser aliado. 

(Imagem: Reprodução/Internet)

(Imagem: Reprodução/Internet) 

O assunto é bastante extenso, maior ainda é o questionamento: em termos gerais, quais empresas realmente apoiam questões da diversidade? Não resta dúvida que todo esforço em despertar a conscientização sobre respeito ao público LGBT é importante, entretanto, todas elas mergulham de cabeça na diversidade ou estão apenas querendo lucrar com base num nicho específico de mercado?

Somente uma pesquisa detalhada pode apurar se as últimas campanhas apresentadas são reflexo de empresas realmente comprometidas com a diversidade. Contudo, há uma parcela de médias e grandes corporações que não somente apoiam a causa. Todos os anos, a DiversityInc publica uma lista com as 50 melhores empresas que desenvolvem práticas de inclusão e apoio a diversidade. Grupos como Sodexo, Mastercard e P&G fazem parte desta lista.

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