Por Tiago Bezerra em 30 de junho de 2017

O império da mediocridade

Quando o assunto é propaganda, todos os olhos se voltam para São Paulo. Mas e os outros mercados do país? O que acontece nas agências de outras cidades?

São Paulo possui a maior fatia do mercado de propaganda no Brasil. Mesmo com Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife terem fatias importantes, a maior parte dos grandes anunciantes e investimentos robustos se concentra em São Paulo, apostando em agências como: AlmapBBDO, DM9DDB, África, Ogilvy, CP+B. Porém, me pergunto: “por que outros mercados não se destacam também?”.

Andei pesquisando e percebi que o fato mais comum e prejudicial é a importância que se dá para o negócio. Em muitas cidades, agência é igual igreja, boteco e lanchonete: qualquer um abre uma em qualquer esquina. E junto a isso, contratam qualquer um para fazer um trabalho qualquer. E o resultado disso é um trabalho raso, anunciantes que não crescem, agências que não crescem, profissionais que não crescem.

Muitas agências existem há anos sem cobrar pela criação, vivendo de negociação de BV em negociação de BV, sempre pra baixo. O que reflete no valor dos profissionais. A cada ano, oferece-se salários menores para quem quiser aceitar. Não precisa ser bom. Basta ser rápido e ganhar pouco. Não existem metas de crescimento, não existem critérios, não existem gestores.

É quase uma regra: “o ótimo é inimigo do bom”; “vamos fazer o mais ou menos, porque é mais fácil”. E dia após dia, o império da mediocridade vai vencendo todas as batalhas travadas job a job. Por que fazer um trabalho incrível se podemos fazer um trabalho “honesto” e cobrar barato por isso?

O tempo todo surgem agências despreparadas cultivando profissionais que se interessam cada vez menos pela evolução do trabalho. Muitos culpam as novas gerações distraídas com as Redes Sociais, mas o que vemos é um acúmulo de comodismo de todos os lados e idades e a única opção dos profissionais que buscam o crescimento é fugir para São Paulo.

Por um lado é bom para o Brasil, porque São Paulo nos representa bem lá fora e só tem a melhorar com a concentração desses profissionais. Mas é triste demais ver o medíocre vencer sempre.

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