Por Tiago Bezerra em 28 de julho de 2017

Respeitista

Esta semana eu li uma postagem de uma colega publicitária, ou ex-publicitária, não tenho certeza, e o que ela postou lá me fez refletir. O texto falava sobre as marcas que se apropriam de causas sociais para vender mais. “O feminismo vende veja multiuso pra homem”, “a beleza da Karol Conka vende de chiclete a mercedes” foram alguns dos exemplos citados para falar que a tendência atual das marcas abraçarem as minorias não passa de estratégia para vender mais.

Outro dia um colega publicitário me entrevistou para o TCC dele. Era uma pesquisa sobre diversidades de raça dentro da Criação das agências. Um tema muito interessante, diga-se de passagem, que também me fez refletir.

Ele me perguntou se eu já havia sofrido ou presenciado uma situação de discriminação por cor ou raça dentro de alguma agência. Sim. O pior que sim. Um empresário aprovou com a equipe de comunicação depois ligou diretamente para a agência e reprovou um anúncio simplesmente porque a modelo da foto era negra. Foi uma situação constrangedora, porque a profissional que fazia o contato com a agência era negra. Imagina a cara do Atendimento na hora que ela ligou perguntando o porquê da agência trocar a foto de um anúncio já aprovado.

Pessoas se classificam em grupos feministas, machistas, racistas. Gosto de dizer que sou respeitista. Gosto de lutar pelo meu direito de pertencer a um grupo que tem o respeito ao próximo como causa maior, como norte, como filosofia de vida, como mantra. E por isso esses dois momentos me fizeram refletir tanto.

Tive o azar de encontrar o único empresário racista do Brasil, ou empresários, e agências estão incluindo a diversidade na comunicação só pra vender mais mesmo? Não estou julgando, estou questionando.

Tenho a opinião de que, quando vivemos uma cultura, transmitimos essa cultura. E se, como a pesquisa do colega recém-formado mostrou, não há diversidade dentro de muitos departamentos de Criação, como criar comunicação que converse com esses grupos? Será que criar comunicação que converse com esses grupos é o suficiente? Será que é o que os grupos querem?

De qualquer forma não estou julgando, não quero julgar, me perdoem se pareceu julgamento, porque realmente não é. Mas já que o assunto está incomodando algumas pessoas, acho que pensar e conversar sobre isso não faz mal a ninguém. Conversar sem julgar, sem xingar, sem odiar. Antes de destruir a opinião do outro ou de se camuflar na causa do outro pra se dar bem, vamos tentar ser mais respeitistas.

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