Por Ighor Ferreira em 31 de outubro de 2017

Vodka Svedka cria anúncio que “assombra” usuários pela internet no Halloween.

Se você é um amante de filmes de terror, provavelmente já viu “O Chamado”, que basicamente (eu espero que não seja spoiler) conta a história de uma maldição passada através de um VHS e que quando os protagonistas assistem ao filme, recebem um telefonema anunciando que irão morrer em sete dias. Até aqui tudo bem, né? Roteiro de filme de terror, nada fora do normal. Mas… E se essa lógica fosse adotada por uma empresa em um anúncio na web que amaldiçoasse o usuário para que ele fosse “assombrado” por outros anúncios da marca?

Eis que, para o Halloween, a marca de vodka suíça Svedka, juntamente com a agência Bensimon Byrne, de Toronto, criou um anúncio de 15 segundos, pre-roll do YouTube, que era impossível de pular e que continua a mensagem anunciando que a partir daquele momento, o usuário estava amaldiçoado:

 

Depois de serem impactados pelo anúncio, com o uso de retargeting, os usuários passavam a visualizar banners com anúncios aterrorizantes em vídeo que faziam uso dos seus próprios dados para “stalkear” e colocar em prática a assombração que havia sido prometida no primeiro vídeo, veja os exemplos abaixo:

 

“Eu amo seguir você por Nova Iorque. Espalhe a maldição para acabar com ela.”

 

“Eu estou me banhando em seus dados online. Espalhe a maldição para acabar com ela.”

 

“Eu gosto que você post coisas maldosas sobre outras vodkas. Espalhe a maldição para acabar com ela.”

 

“Está usando o telefone para ligar por ajuda? Espalhe a maldição para acabar com ela.”

“Eu sei que você gosta da vodka errada. Espalhe a maldição para acabar com ela.”

A única forma de quebrar a maldição é visitando o site da marca e compartilhar artigos, notícias e páginas “clickbait” que, ao serem clicados por seus amigos, acaba os amaldiçoando também. A marca deixou em suas mãos escolher o que é pior: ser assombrado por banners ou compartilhar maldições com seus amigos. 

Apesar do uso criativo de algo que é tido como chato e invasivo em uma época do ano que permite ousar, a campanha levanta discussões atuais e pertinentes sobre a privacidade na web, o tráfego de dados pessoais e seu uso por empresas, as autorizações concedidas pelos usuários ao usar, por exemplo, aplicativos de terceiros e até que ponto nós temos controle do que é nosso e do que é de domínio privado. Bom para pensar, né? Então fica aí a reflexão.

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