Por Reinaldo Del Trejo em 29 de novembro de 2017

Um estranho na Publicidade

27 de novembro de 2011, um domingo nublado. Quartas de finais de um torneio de futebol amador na cidade de Anhumas, interior de São Paulo. O jogo estava acirrado, o lateral subiu e cruzou, eu estava marcando o atacante, pulei junto com ele, senti que outras pessoas subiram comigo. Fechei os olhos, o goleiro do meu time tinha caído no chão também, senti um estalo no joelho. As substituições já tinham acabado, 25 do segundo tempo, continuei em campo e o sonho da minha vida havia terminado assim como o limite de trocas do meu time.

Estourei dois ligamentos do joelho e fraturei os dois meniscos. 1 ano e 6 meses sem jogar futebol. Aí você se pergunta o que isso tem a ver com Publicidade. Bom, eu nunca sonhei em ser publicitário. Até na época da faculdade, nunca senti um pingo de interesse. Apesar de ser impactado diretamente por ela.

A vida é feita de reviravoltas. Em paralelo a tudo isso, sempre gostei de ler e escrever. Tanto que fui freela por vários anos como redator de SEO, isso entre 2009 e 2012. Até que no segundo termo de Jornalismo – a faculdade que tenho diploma, fiz uma entrevista em uma agência com a descrição: escrever textos para site.

Fui sem muita ambição. Me considero um cara um tanto quanto azarado. Quando  cheguei à entrevista e mostrei meus textos de SEO para um dos diretores, senti que a vaga era minha. Para você entender: hoje em dia todo mundo sabe escrever para SEO, mas isso há alguns anos era novidade.

A agência era um ambiente muito bacana. Pessoas divertidas e um grupo muito criativo. Entre uma saída e outra para tomar água ou dar uma espairecida, olhava o pessoal da arte finalizando os Jobs. Um dia, vi uma arte que era sensacional, o texto incrível. Fiquei abismado e falei para o diretor de arte, que não fazia ideia que essa função se chamava assim:

– Que massa o texto cara. Muito inteligente, incisivo.

– Também achei, foi o Fulano que fez. – ele respondeu (fulano anos depois se tornou o meu Diretor de Criação).

AÍ entendi que quem fazia a arte não era a mesma pessoa que escrevia os textos. Mas o tempo passava, e aqueles artigos de SEO começaram a me irritar. Um dia, pensei que queria trabalhar com o Jornalismo e pedi as contas. Fiz estágio na TV da faculdade e também na Rádio, lidei com o Jornalismo, mesmo que universitário, e meu objetivo era claro: trabalhar com esporte.

Último ano da faculdade chegou. Na época do TCC aconteceu uma coisa que não conhecia desde os 16 anos: desemprego. Enviei currículo para TODOS os meios de comunicação da cidade. Não obtive uma resposta. O Jornalismo não me quis. Então comecei a enviar currículo para outras vagas: frentista, balconista, garçom, até servente de pedreiro. Nada. 65 currículos. Até que me apareceu a Luz, uma vaga de estágio em redação publicitária na antiga agência que tinha trabalhado como redator de SEO. Enviei o currículo e desde então , virei publicitário.

Não foi sonho. Foi o acaso e persistência. Tive um Diretor de Criação que é muito atencioso,  e a cada novo dia me ajuda a melhorar os textos. Colegas de redação que não se importam em ajudar quando preciso. A paciência dos diretores ao esperar a lapidação do meu texto. Devorei vários livros de publicidade, e a cada dia, vejo que não sei nada desse universo muito intrigante.

O que quero dizer com isso, meu caro amigo leitor. Se você não teve o sonho e caiu na Publicidade, não fique chateado ou frustrado. É um universo bem divertido de se trabalhar e, com o tempo, se torna paixão. Se isso aconteceu até com um aspirante a jogador de futebol,  pode acontecer com você também.

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