Por Tiago Bezerra em 18 de dezembro de 2017

Onde mora a ideia

Entre um comentário e outro, um rabisco e outro, um ponto de vista e outro. Não é distante, é bem debaixo do nosso nariz que ela se esconde.

A ideia é ágil, escorregadia, anda por aí disfarçada. O sorriso de canto de boca é sua forma preferida. Surge timidamente logo após uma vírgula, um ponto, uma palavra que não deveria estar ali.

Quem mora nos detalhes não é ele. É ela. A ideia generosa e justa que se mostra para todos que desejam. Mas não se iluda: tem que fazer por merecer.

Na casa da ideia, tudo pode ser testado, experimentado e descartado sem medo, sem vergonha, sem remorso nem arrependimentos. Na verdade deve haver, no meio de todas as mensagens na parede do hall de entrada, uma que diz: O MEDO NÃO É BEM-VINDO. Talvez seja aquela entre “A IDEIA QUE NÃO É PERIGOSA, NÃO MERECE SER CHAMADA DE IDEIA” e “UM HOMEM SÉRIO TEM POUCAS IDEIAS. UM HOMEM DE IDÉIAS NUNCA É SÉRIO”.

Apesar de ser uma casa modesta e escondida, muitos tiveram a honra de visitá-la. E essa ótima anfitriã só exige um coisa: nunca revelar o atalho. Porque ela, em toda sua sabedoria, sabe que se fosse fácil chegar lá, ninguém daria valor.

Com o tempo, falsos visitantes ergueram casas e disseram que era ali a casa da ideia. Arrastarem seguidores com histórias mal contadas e cheias de repetições fonéticas e palavras desperdiçadas. Não terão êxito, porque essas casas envelhecem, dão mofo nas paredes e enferrujam nas dobradiças.

Se você deseja conhecer a ideia, deve esvaziar sua mente de teorias mirabolantes e se deixar levar pelo caminho que nos faz ver o mundo com os olhos curiosos de uma criança. É só assim que vamos finalmente conhecer onde mora a ideia.

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