Por Reinaldo Del Trejo em 27 de dezembro de 2017

Precisamos falar sobre ansiedade

Alguns dias afastado do trabalho. Tinha chegado a hora de retornar a agência. Tomei banho, me olhei no espelho, minha pupila estava dilatada de uma forma estranha. Sentei na cama, veio um suor frio, meu coração palpitando, alguns movimentos involuntários nos braços e pernas. Recobrei a consciência somente na consulta psiquiátrica. Meu quarto estava destruído.

Parece cena de filme de pessoas desajustadas. Mas apenas tive consciência plena em frente ao psiquiatra. Triplicou a dosagem dos meus medicamentos, e as coisas começaram a melhorar aos poucos. Essa foi a minha pior crise de pânico, mas como diz a minha mãe, para dar aquela atenuada na situação: “crise de ansiedade”.

No começo, você tem medo. Tem medo de pressão. Tem medo de conhecer pessoas novas. Medo de ouvir a uma voz diferente. Medo de ficar sozinho. Tudo na vida cotidiana se torna assustador, como se você fosse uma bomba relógio que está pronta para explodir a qualquer momento.

A primeira crise veio quando tentei parar de fumar. Parei em um postinho de saúde, liguei pro meu irmão e ele me tratou com desdém como se eu tivesse cheirado alguma coisa. Tomei uma medicação na veia e a segunda veio algumas horas mais tarde. Mais forte. Pensei que iria morrer nas duas.

Afastado do emprego por alguns dias, não sabia ao certo o que era. Disseram que era crise de abstinência. Fiz até um textão no meu blog sobre nunca dar o primeiro trago. Mas com o tempo, aprendi que aquilo tinha sido apenas um gatilho e segundo meu psiquiatra: “Não é hora de parar, seria ansiedade em cima de ansiedade.”

Voltei a trabalhar, e as crises aconteciam de vez em quando. Fiquei até dois meses sem uma, até chegar meu aniversário de 24 anos e enfim ter uma séria. Idade? Ansiedade com a vida de adulto? Eu realmente não sei.

O que sei é que o ramo da Publicidade têm muitas pessoas que são atacadas por esse mal do século. Não digo que a culpa é do trabalho. Pois pressão faz parte da vida, e sim pelo fato de não saber lidar com o tempo livre. Desde os 16, a noite vinha com obrigações. E acabei me esquecendo do grande vazio que uma vida ocupada demais proporciona.

Então o que quero dizer com esse pequeno relato é pra você procurar ajuda psicológica se necessário. Sente um vazio existencial? Bora se tratar! Não espere tudo estourar, como um dia estourou comigo, e hoje sou obrigado a gastar R$ 400,00 por mês só de medicação, fora o desconforto de não ser uma pessoa “normal” nunca mais.

Terapia não é coisa de louco. É coisa de gente inteligente.

Deixe um comentário

Publicidade