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Tendências para 2015: Um falso presságio

Diogo Mattos 6 de Janeiro de 2015
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shutterstock_163229387Imagem: shutterstock.com

2014 acaba de ficar para trás e um novo ano se inicia, um ano de renovação de promessas, criação de novas metas e novo planejamento. Por isso, no final de 2014 tivemos por ai, na Internet, em outros blogs de comunicação como esse, inúmeros posts descrevendo tendências de comunicação/Publicidade e marketing para 2015. E lendo um pouco de tudo isso me veio uma dúvida que me levou a não fazer um post assim: será que tendências valem de alguma coisa? Será que são seguidas à risca? Acredito que não.

Os Falsos profetas

Todos já ouvimos falar e vemos algumas matérias jornalísticas e de entretenimento que mostram como agem os charlatões das previsões no tarô, na cartomancia, na vidência e todas essas áreas correlatas que todo início de ano lançam mão de suas previsões para ano. E usando igual charlatanice fazem previsões para ingênuos indivíduos. Dentre todas as técnicas da enganação está o uso de dados e informações generalizadas, conhecidos por todos, para enganar os outros, vendendo tudo como se fosse uma real previsão de futuro.

E exatamente da mesma forma que acontece nessas previsões na comunicação e no Marketing. E quando afirmo isso não falo baseado em pesquisas ou dados estatísticos, mas sim na simples observação dos posts que li em 2014 e anos anteriores. E ai você me pergunta, mas como assim? Me acompanhe nos próximos parágrafos e você vai se surpreender.

Para exemplificar meu ponto vou rebater os pontos de 2 posts que escolhi, de fontes renomadas para provar que tendências apenas se renomeiam a cada ano, um simples copy and paste ou ctrl C + ctrl V como se diz no popular.

Adnews – “Cinco Tendências para o digital marketing em 2015”

Esse artigo foi a base para o post do colega Rafael Alves para o Plugcitários (reveja aqui http://bit.ly/1DaljE4) e traz resultados da pesquisa da entidade AUNICA mas já de cara não me trouxe grandes surpresas. Vejamos ponto a ponto:

Data Driven Market: Há quanto tempo não ouvimos falar em transformar dados em plataformas de informação integrada e acessível? Acesse esse link http://onforb.es/1g8TosZ e veja nessa matéria em inglês datada de Outubro de 2013 que prova que isso já era discutido.

Internet das coisas: Será mesmo que só em 2015 veremos gadgets inteligentes integrados a nuvem como parte do planejamento das empresas? Parece quem em 2014 ele já era considerado http://bit.ly/1zOF2Ts

Compra de Mídia Programática: Se o próprio artigo diz que desde o início de 2014 já é feito assim no Brasil, o que mais eu posso dizer?

Content Delivery: Desde que o digital avança no mundo, o papel do conteúdo e seu gerente não é novidade para ninguém e isso acho que não preciso nem dar mais justificativas.

Pessoas: O que seria de todos os outros itens sem pessoas para operá-los. Felizmente a mão de obra humana sempre vai existir, e isso também não é nenhuma novidade. Acredito que o novo aqui é o tipo específico de formação exigida para esses profissionais.

Meio & Mensagem – “Pesquisa aponta tendências para 2015”

Mais um post baseado em estatísticas reais levantadas lá no vale do Silício, mas também não apresenta nada efetivamente novo. Vamos a análise das propensões mostradas:

Tecnologias que melhoram a experiência em lojas físicas: Os beacons também não são coisa nova. O próprio texto fornece meu contra argumento ligando a uma matéria de Junho de 2014 que já falava neles http://bit.ly/1wdEB3Z.

Pagamentos móveis: Bitcoin pra mim é tendência desde os idos de 2008 quando surgiu, como comprova essa matéria do portal G1 publicada em Junho de 2011, confira http://glo.bo/1xvAXqp.

Warables: O próprio texto confessa que não é uma tecnologia nova, mas a aponta como uma promessa de deslanchar em 2015. Mas já não era em Janeiro de 2014? http://bit.ly/1xxWH4I.

O que acho mais interessante nisso tudo é que o digital de forma direta ou indireta está contido em todas as “previsões”, provando de certa forma que o mundo online ganha cada vez mais espaço e adeptos, o que se mostra bastante benéfico. O que não quer dizer que o off-line morreu, apesar do que alguns estudiosos insistem em afirmar, mas isso já é assunto para outro post.

Para bom entendedor, uma vez basta

O que tentei passar nesse post foi que de fato, copiar e colar, replicar tendências de outros anos vem tornando-se recorrente e o que vale para 2015 já valeu para outros anos. Desde que o mundo online foi tomando corpo, ou seja, de 2009 para cá as mesmas tendências são apontadas como coisas a emplacar e há pelo menos 5 anos é assim.

A minha intenção não é demagogia e nem tampouco arrogância em relação a um mercado tão renomado ou a pesquisas tão confiáveis. Afinal de contas, só estou começando. Mas fica como um alerta para que não se deem nome aos bois, como no ditado popular. Em outras palavras, não rotule como 2015 algo que já vem sendo dito há mais tempo como se fosse novo. Se não emplacou é porque são previsões difíceis de se cumprir, todos sabem, mas não repitam a mesma coisa porque pode soar como balela. Para mim todas as tendências apresentadas se resumem a duas palavras: Seja autêntico!

E você, concorda comigo?

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Diogo Mattos

Tenho 27 anos, sou publicitário, especializado em redação, recém formado em mídia e comunicação pela University of East London, localizada em Londres. Aqui estou, para agregar minha visão de redator publicitário ao fatos da publicidade atual que mais chamam nossa atenção. Também escrevo para o meu blog pessoal www.activebrain-diogo.blogspot.com, onde publico artigos em inglês e português sobre temas relacionados ao mundo da comunicação e mídia atual.

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