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Youtubers recebem R$ 295 mil do Governo em publicidade disfarçada

Israel Lemos 21 de Fevereiro de 2017
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Lá está você no seu tempo livre, assistindo um vídeo no YouTube num canal de curiosidades. Ao se deparar com um conteúdo sobre a nova reforma do Ensino Médio, presta atenção e toma aquilo como verdade para si. E é, só não te avisaram que todo material do vídeo foi um investimento do MEC (Ministério da Educação) em publicidade.

A fonte é a Folha de São Paulo, que divulgou na última sexta-feira (17) o envolvimento do canal Você Sabia?, da carismática dupla Daniel Molo e Lukas Marques, e o valor de R$ 65mil para elaboração do conteúdo patrocinado. Porém, o vídeo – que segue abaixo – possui apenas uma frase em fonte pequena, por alguns segundos, sobreposto à imagem escrito “contém promoção paga”, sem especificar o momento, e uma hashtag ao final da descrição, escrito “#publi”. Apesar de não se ter certeza se foram inseridas em outubro de 2016 – data da publicação do vídeo – ou após a repercussão negativa do assunto.

https://youtu.be/ENIPdSbuafA?t=1s

Durante todo o vídeo, a dupla se mostra parcial, elogiando e dando a entender que a nova reforma vai trazer apenas benefícios para os estudantes e permitir que, desde cedo, o aluno tenha a possibilidade de ramificar seus estudos de acordo com sua futura área de atuação. Como embasamento, utilizam exemplos de Países em que o método aplicado é semelhante, como: França, Inglaterra, Austrália e Coréia do Sul.

“Com esse vídeo você aí deve estar dando pulos de alegria. Se eu tivesse que fazer o ensino médio e soubesse dessa mudança eu ficaria muito feliz”

– Lukas Marques

Mas não para por aí. No mesmo dia da divulgação da notícia, a Folha questionou e o MEC informou que, ao todo, seis canais do YouTube foram contratados, totalizando um custo de R$ 295mil. São eles: Pyong Lee, Malena, T3ddy, Rafael Moreira e Rato Borrachudo.

O jornal paulista também apurou algumas informações junto à produtora Digital Stars, responsável pela encomenda desses vídeos. De acordo com o CEO da empresa, Luiz Felipe Barros, uma condição para a veiculação do material seria que os influenciadores digitais pudessem expor suas opiniões acerca da nova reforma, sem qualquer restrição.

Também segundo a Folha de São Paulo, Daniel Molo afirmou que é comum trabalharem com conteúdos patrocinados, desde que o resultado seja interessante. Mas ao ser perguntado por valores, desconversou: “Recebemos uma coxinha e um refrigerante em troca”.

Entretanto, basta ver alguns pontos do vídeo para entender sua repercussão negativa. Apesar das cerca de 2 milhões de visualizações, são 20 mil comentários, sendo críticas, em sua esmagadora maioria, sem contar os 63 mil dislikes (até o momento em que esse texto era escrito). Seguem alguns deles:

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube

(Imagem: Reprodução/Youtube) 

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube)

(Imagem: Reprodução/Youtube)

E você, sabia?

Fonte.

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Israel Lemos

Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Fã declarado de stand-up comedy e de textos criativos, tem como meta particular trazer mais humor à publicidade. Além disso, é gaúcho, gremista e apaixonado por futebol desde 1991.

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