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Inovar saiu de moda

Tiago Bezerra 12 de Março de 2018
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Já faz algum tempo que inovar saiu de moda. Quando todos faziam o básico, o diferente era endeusado. Pensar fora da caixa era uma filosofia moderna antes de virar uma frase qualquer. Mas se todo mundo saiu da caixa, quem está dentro dela agora?

Inovar, inovar, inovar. Palavra de ordem para quem quer se destacar. Não importa se o fruto da inovação em questão for bizarro. O monstro de Frankenstein era inovação. Horrendo, inovador.

Em algum momento nessa busca pela inovação, inovar se desprendeu de propósito. Não no sentido deliberativo da palavra. Se desprendeu de ter em si um propósito. Esqueceram que sem propósito, a existência em si não tem sentido algum.

O óbvio, no entanto, coitado. Achincalhado publicamente dia após dia. O óbvio é caixa. Não queremos caixa. Queremos fora, além. Uma embriaguez que deturpa os sentidos da caixa. Deturpa seu propósito.

Caixa guarda o que você quiser guardar nela. Este é seu propósito. Se você só guarda o que não gosta, o problema é seu. E se esse for o teu propósito, o problema não é meu.

Hoje a inovação caminha perdida numa estrada infinda, passeando por despropósitos que, se o infinito tivesse tamanho, dobrariam seu tamanho. Despropósito passou a ser, de propósito, o objetivo de inovar.

Mas em algum canto, escondido ainda dentro de sua caixa, deve haver uma mente que trabalha por atalhos perdidos, sob a secreta frase, a mais inovadora entre todas: “às vezes, inovar é fazer o óbvio.”

Tiago Bezerra

Redator Publicitário e Roteirista apaixonado por tecnologia, música, cinema e tudo que faz o mundo ser mais agradável.

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