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Argumento: a história do filme

Tiago Bezerra 13 de agosto de 2018
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Lembro que quando comecei a estudar cinema, eu não entendia muito bem o que era o argumento do filme. Não sei você, mas no meu caso, a palavra argumento só me remetia a “justificativa”, “razão”, “réplica”. Essas coisas. Por isso decidi compartilhar aqui o que me fez entender que argumento é a história do filme.

Parafraseando o filme Filadélfia (1993), “Explique-me como se eu tivesse 6 anos de idade”. É assim que gosto de começar um assunto novo. Então vamos do início: o que é preciso para fazer um filme? Todo mundo responde de primeira: um roteiro. E de fato é isso. Mas para se chegar a um roteiro, primeiro a gente precisa de uma ideia, de uma HISTÓRIA.

Imaginando aqui um passo a passo, seria mais ou menos assim: primeiro vem a ideia de fazer um filme sobre um cara que se apaixona por um sistema operacional. Mas isso ainda não é um filme. Também não é um roteiro nem um argumento.

A partir daí você precisa escrever essa história. Quem é esse cara que vai se apaixonar? Como ele é fisicamente e psicologicamente? As características psicológicas dele, neste caso em especial, precisam ser bem interessantes e complexas. Afinal, estamos falando de um cara que se apaixona por um “computador”. Ele é, no mínimo, complexo. Segue daí.

Toda história precisa de grande um ponto de virada (plot point). Como vai ser nessa? O que acontece? Eles “ficam” juntos? As pessoas aceitam? Eles têm conflito como um casal tradicional? Eles brigam? Como eles fazem sexo? Tudo isso precisa estar na sua história. E o mais importante: como termina essa história?

Quando você reúne todos esses elementos dramáticos na sua história e estrutura ela com início, meio e fim (ou Ato 1, Ato 2 e Ato 3), você tem um argumento cinematográfico. Normalmente, com 5 ou 6 páginas (A4 – Courier News 12).

Aí, depois de ter um argumento, de preferência com pontos de virada que conectam as partes (atos) da história, você tem uma base para desenvolver um roteiro.

Para quem não pegou a referência, eu estava usando como exemplo o filme ELA (2013), escrito e dirigido por Spike Jonze. E que levou o Oscar® de Melhor Roteiro Original.

Espero que agora você não tenha mais argumentos para não escrever um argumento.

Tiago Bezerra

Redator Publicitário e Roteirista apaixonado por tecnologia, música, cinema e tudo que faz o mundo ser mais agradável.

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