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Fotografia Fine Art: que bicho é esse?

Leo Arcoverde 20 de junho de 2012
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Originalmente o termo “Fine Art” foi cunhado para diferenciar produções puramente artísticas de outras feitas com intuito comercial, por exemplo. Algo feito unicamente pelo seu valor estético e sem qualquer aplicação prática sugerida pode ser considerado Fine Art, enquanto que algo com uma função prática explícita, tal como a fotografia publicitária, não.

Mas aí é que vem a confusão.

Um retrato de D. Pedro I feito sob encomenda com o intuito de identificar e registrar a imagem do governante para o povo e para as gerações futuras, por exemplo, não pode ser considerado como uma Fine Art, mesmo que tenha sido feito por um excelente pintor com a mais refinada técnica e o mais apurado senso estético. Porquê?! Bom, para começar foi feito sob uma encomenda. Aí já reside um propósito, um intuito. Isso quer dizer que a fotografia dita Fine Art deve ser feita de modo desproposital? Ih, rapaz, será mesmo?

Quase isso: na fotografia, tanto contemporânea quanto no seu surgimento, o termo deve ser aplicado da mesma forma, referindo-se à fotografia feita puramente por impulso artístico e estético em oposição à fotografia feita com objetivo documental ou publicitário. Curiosamente uma análise das fotos publicadas nos sites e afins nos leva a crer que a maioria das pessoas acha que, para uma fotografia ser “Fine Art”, ela precisa ter uma mulher nua numa floresta, lago ou pedreira. Não necessariamente. Mas historicamente, a nudez é uma bela constante nas fotografias deste gênero.

 Isso, na verdade, é conseqüência do termo Fine Art Nude que surgiu para diferenciar fotos de nu comercial (estilo playboy e sexy) de fotos artísticas, onde o corpo nu é apenas um elemento estético. Apesar de quê, as revistas masculinas vêm constantemente mudando sua curva de estilo e bebendo das referências da Fine Art. O termo é hoje comumente evitado pelos historiadores da arte acadêmica e é muito menos usado em qualquer contexto no Reino Unido do que na América do Norte e do Sul, onde está se generalizando como algo palpável através de um processo de impressão – no caso da fotografia – aqui no Brasil . Significa que, no caso da fotografia, existe uma estética, mono ou multi cromática, que baseada na criatividade de seu autor pode se tornar arte (fine arts) ou manter-se como um mero registro que se somará a tantos outros existentes e espalhados em sites de álbuns fotográficos. Mais uma foto perdida.

Outro fato a se observar é a tendência existente de que esse tipo de fotografia tem de ser preto e branco. Engano de quem acha. Mas que o P&B tem um charme a mais… ah, tem. E ajuda bastante.

O suporte que se usa, especifico para o caso de fotografia, é uma ferramenta, é o meio que materializa a sua pretensa Fine Art. Sua câmera pode ser um DSLR, Lomo, Diana, Pinhole, celular, de filme, portátil, médio e/ou grande formato e ser impressa no que existe de melhor seja esse um processo químico e ou digital – impressões jato de tinta onde há o uso de papeis e tintas certificados para garantirem durabilidade a sua imagem como produto final. Então não é por que você usou uma mega-hiper-super-ultra-blaster-câmera para fotografar e imprimiu sua imagem em materiais destinadas a reproduzir fine art que ela será uma fine art – ela precisa ser aceita como tal por quem é especializado (críticos, curadores, compradores de arte e o público que a vê como tal). Depende de conceitos. Aliás, é feita em conceitos fortes, por vezes nada usuais.

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Leo Arcoverde

Leo Arcoverde, designer, publicitário (diretor de arte), fotógrafo, ilustrador e metido a redator nas horas vagas. Geek com mau-humor matinal, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático às vezes. Nem sempre.

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