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De volta a técnica fotográfica: Composição

Leo Arcoverde 4 de julho de 2012
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Pra quem gostava de ler, estamos de volta com um pouco de aula da fotografia básica. Que eu me lembre, já falei sobre Tipos de câmera, ISO, Obturador, Velocidade de disparo e Fotometria, correto? Hoje vamos aprender a compor uma foto. O grande diferencial de quem realmente quer se destacar no ramo. Técnica se aprende lendo, mas a composição só tem uma maneira de aprender: praticar. Desenvolver o olhar fotográfico – que pra mim é a verdadeira assinatura de um fotógrafo – em conjunto com sua iluminação característica.

A definição de composição fotográfica é simples: é a seleção e os arranjos agradáveis dos assuntos dentro da área a ser fotografada. Os arranjos são feitos colocando-se figuras ou objetos em determinadas posições. Às vezes, na mudança do ângulo de tomada, você pode deslocar sua câmera suavemente, acarretando uma mudança na composição. Mas nada é feito de modo aleatório, temos umas diretrizes a seguir. Veremos que as normas de composição se tornarão parte de suas idéias quando estiver procurando motivos fotográficos e, em breve, elas serão algo normal para você. Iremos discutir simplicidade, regra dos terços, linhas, equilíbrio, enquadramento e fusões. Considere estes itens não como regras, mas como simples orientações. Mas para quebrá-las temos de conhecê-las bem, não é verdade?!

A primeira e, talvez, a mais importante das orientações, baseia-se na simplicidade. Afinal, o que é simples é fácil de fazer, correto? Ahm… veremos. Procure formas que dêem maior atenção visual ao centro de interesse da foto. Uma das formas seria selecionar um fundo suficientemente uniforme, que não roube a atenção que o assunto principal merece.

Vemos dois exemplos práticos acima, do que seria a simplicidade. O fundo não confunde, tampouco chama mais atenção daquilo que você realmente quer fotografar. Não necessariamente precisa ser um fundo chapado, uma parede, por exemplo. Podemos ter mais elementos dispostos de maneira a variar o cenário sem, no entanto, confundir ou atrapalhar a leitura da foto, como abaixo (que bastou usar uma baixa profundidade de campo):

A premissa básica – e uma das mais importantes pra quem começa – é a regra dos terços. Não é necessária muita explicação para entender essa regra: pegue a sua imagem e desenhe mentalmente um “jogo da velha” nela. Os pontos importantes da sua foto devem ficar em alguma das 4 convergências dessas linhas recém-desenhadas. Se existirem linhas na imagem (como o horizonte), dê preferência em posicioná-las junto às linhas do jogo da velha.

A regra dos terços – que não é exatamente uma “regra”, sendo apenas um conselho de como obter melhores enquadramentos – pode ser muito útil para fazer aquela fotografia comum de uma paisagem se transformar em algo muito mais agradável aos olhos. Há porém uma ressalva. O horizonte nunca deve ser inclinado. Por isso esse nome – horizonte. A não ser em casos específicos – que falo depois. Segue um exemplo de composição nos terços bem aplicada.

Em retratos, há quem defenda que os olhos deve sempre ficar no terço superior da imagem. Mas, como já disse, não é regra. Também o horizonte não deve ficar no meio da composição, pois entedia, tira a vida da foto. Use as horizontais dos terços para alocar a linha das paisagens. Se o céu for importante, o horizonte vai pra linha inferior. Se não… bom depende do que se retrata. Temos dois exemplos abaixo:

Voltando aos retratos, os principais elementos são os olhos. Foco neles. Para deixar mais rico o enquadramento de alguém em uma fotografia de rosto, desloque um pouco o rosto da pessoa de forma que um dos olhos fique próximo à intersecção entre duas linhas guias do terço. Olhos galera, olhos. Se você for retratar uma pessoa só, porém em um enquadramento mais aberto (isto é, mostrando partes do corpo, ou até mesmo o corpo inteiro), tente colocar o rosto na linha guia em um dos cantos. Dê espaço na foto para o sentido que a pessoa olha, pois é natural nós acompanharmos o olhar junto com ela. E, de novo, foco nos olhos. Quando fotografar um grupo, procure colocar os seus rostos na linha horizontal superior da imagem. Se for um grupo pequeno de pessoas, centralize-o tendo como base uma linha lateral da imagem, e não o meio.


Em arquitetura, por vezes usamos a simetria pra chamar atenção a um determinado tema. A composição simétrica significa solidez, estabilidade e força, é também eficaz na organização de imagens com detalhes elaborados. Uma das estratégias oferecida por uma apresentação simétrica é a simplicidade dos elementos de um tema. Aí, às vezes esquecemos a regra dos terços.


Acho que temos um bocado de coisa a praticar. Por enquanto, estamos de boa. Mas antes de acabar o post de hoje, umas observações pra vocês. Para criar enquadramentos e composições cada vez melhores, abuse das linhas horizontais e verticais existentes na sua imagem. O horizonte é a principal delas, mas existem outras possibilidades, como prédios, troncos, pessoas e móveis. Tente enquadrar sempre esses elementos com as linhas imaginárias da regra dos terços. Isso cria um efeito geométrico na imagem, valorizando os contornos e tornando a sua fotografia mais interessante. Nem sempre esse efeito visual é aparente, mas são os detalhes que ajudam em uma composição diferenciada, com mais capricho.

Além das linhas retas, preste muita atenção nas sinuosidades. Uma curva bem posicionada na imagem pode dar uma ideia de movimento. A mesma regra dos terços vale para elas, com a diferença de que, as vezes, você pode enquadrar o mesmo objeto curvo em mais de um ponto de intersecção, tornando a foto ainda mais rica em composição. Post que vem, falaremos sobre diagonais e golden ratio.

Hasta!

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Leo Arcoverde

Leo Arcoverde, designer, publicitário (diretor de arte), fotógrafo, ilustrador e metido a redator nas horas vagas. Geek com mau-humor matinal, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático às vezes. Nem sempre.

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