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Mídia Social: de que poder realmente estamos falando?

Felipe Nogs 26 de setembro de 2012
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Depois do último post que fiz sobre nossa fatídica confusão entre mídia social e redes sociais, levei um tempo para repensar aquilo que escrevi, não por que havia algo de errado necessariamente, as constatações estavam corretas (não se desesperem! rs).  Porém é preciso acrescentarmos um ponto a mais, que ficou aberto. Liguei para alguns acadêmicos que são próximos e pedi que lessem meu texto, então, eles me alertaram quanto ao final dele.

Faço aqui uma reiteração: há autores que defendem existir apenas uma mídia social e outros que afirmam e defendem a existência de muitas, cá entre nós, alguns desses autores não gostam de construir algo em cima de estudos anteriores, e decidem criar suas próprias definições para delimitar algo que já existe.  Por isso pode vir a existir várias definições divergentes sobre um mesmo assunto ou várias nomeclaturas para uma mesma coisa. Um  exemplo de uma mídia social seria uma arte em um muro (grafite), entretanto, ainda assim seria uma mensagem emitida por apenas uma pessoa para muitas. É uma loucura, alguns autores concordam outros descordam e por fim, cabe a nós fazer a conexão que nos convém.

Mas, durante algumas dessas observações foram levantados novos pontos. É preciso entender primordialmente que saber diferenciar as mídias é importante, lembrando que a mídia tradicional é a considerada “mídia de massa”, ou seja: TV;  rádio e jornal. Mídias que alcançam milhares de pessoas, por vezes diariamente. Precisamos levar em consideração também que antes, a internet era considerada um veículo, hoje ela é considerada um meio (claro, segundo alguns grandes teóricos).

Media Social e Redes Sociais

O problema na confusão da conceituação de mídia social foi durante sua tradução, que do inglês é “media”, e pode ser considerada um fenômeno de “muitos falando” e “muitos ouvindo”. Entretanto quando nós da comunicação falamos de mídia social, não é sobre grafite que estamos falando, mas àquela aplicada na internet, que é considerado um meio. As redes sociais são criadas pelas próprias pessoas. Elas que formam as redes, e as redes são um meio de se relacionar. O fato de ela ser um meio de relacionamento não transforma essa própria rede em uma mídia social.

O livro “A bíblia da midia social” afirma que há 15 categorias de ferramentas de mídia social que podem se encontrar em outros espaços (respondendo às perguntas sobre o Youtube ser ou não uma rede social ou Mídia Social – que não significa necessariamente que ele seja uma rede social, mas tem características). Essas categorias são parte daquilo que tem potencial de dar voz ao mundo, mas se não existissem todas essas ferramentas não existiria o fenômeno da mídia social, e essas ferramentas de conversação viabilizam a existência de um contexto de mídia social, diferentemente de ser um sinônimo de rede social.

Nosso poder fake

O problema é que essa mídia (social), para se igualar e ter todo esse poder, seria preciso que ela provocasse um impacto tão grande ou equivalente ao da mídia tradicional. Exemplo: se sair hoje no programa dominical Fantástico, que a Xuxa está grávida novamente, até seu tio lá do Acre certamente saberia da notícia e estaria comentando nas ruas ou nos bares da cidade dele. E se essa notícia repercutisse apenas pela mídia social? Será que seu tio lá no Acre saberia disso? – não estou querendo dizer que no Acre não há acesso à internet ou coisa do tipo, ok? –  Ou será que o Brasil inteiro teria acesso a essa informação? Claro que não estamos aqui descaracterizando o poder midiático que nossa mídia social provoca, mas e se não tivesse esse impacto da mídia tradicional, será que causaríamos o mesmo efeito? Os fatos estariam “na boca do povo”  sem a mídia tradicional apoiando a mídia social?

Tenho me perguntado e refletido nesses dias sobre qual é o nosso verdadeiro poder por aqui? Já que a mídia social é a oposição da indústria da mídia, será que estamos alcançando aquilo que realmente estamos “vendendo” como um “incrível poder”? Não posso discordar que realmente, criamos aqui milhares de coisas e popularizamos outras milhares, mas será que estamos com toda essa “bola”?

Concluo então que a mídia social possivelmente ainda não tem o mesmo efeito da mídia de massa, sobretudo ela continua sendo um fenômeno. Mas precisamos observar que no momento muitos ouvem, mas até que ponto esses muitos estão dispostos a ouvir se não houver um espaço no Fantástico? Seria então, nosso poder, uma falácia?

Deixo as questões abertas para quem sabe descobrirmos com o tempo. Peço desculpas com o atraso desse post, pois foi preciso “ruminar” algumas reflexões para enfim, colocá-las aqui para vocês.

Nos vemos na próxima semana, – na mesma batcaverna- aqui no Plugcitários.

Colaboração e revisão: Silvana Sandini e Ludmilla Veloso

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