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Currículos criativos: Enviar ou não?

Iran Pontes 15 de novembro de 2012
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Um assunto eventualmente comentado e debatido entre Designers e Publicitários é sobre a inovação de um currículo. Há um bom tempo, venho me deparando constantemente com blogs que apresentam coletâneas dos chamados “Currículos Criativos” e vez por outra algum amigo envia uns desses para análise, mas confesso que sempre fiquei um pouco preocupado se o seu uso poderia, efetivamente, nos destacar dentre os demais concorrentes à vaga.
Pensando nisso, entrei em contato com alguns (vários) gestores de conceituadas agências e empresas de diferentes segmentos, que participam ou podem participar de processos seletivos para contratação de profissionais criativos, confira abaixo o que eles pensam sobre o assunto:

Victor Vasques, Coordenador de Produção Web da Discovery Brasil e Editor Chefe do Com limão:

“Acho que um currículo criativo se destaca dos demais, só que muita elaboração visual pode atrapalhar o conteúdo. Nas grandes empresas, o Rh avalia o currículo e, só depois, o gestor. A minha opinião é que o currículo deve ser claro, bem diagramado e direto. Deixe a criatividade para o portfólio”;

Emerson Silva, Gerente de Operações Digitais da Ogilvy:

“O currículo funciona como o “Bom dia” que você dá às pessoas, é a primeira impressão entre você e quem está recrutando. Em um processo seletivo, recebemos centenas de currículos, então quem consegue aliar criatividade, mantendo a simplicidade e objetividade consegue se destacar dos demais, conquistando assim uma entrevista presencial. Nessa primeira triagem, procuramos entender quem é o candidato, que cursos fez para chegar ali, onde trabalhou, e que interesses possui. Se esses pontos forem colocados de uma forma criativa, irá ganhar destaque dentre os outros. Colocar no currículo link de redes sociais, como o Linkedin, também são muitos úteis, pois além das informações básicas sobre o candidato, possuem ‘recomendações’ de outros profissionais que já trabalham com a pessoa.”

Manuel Cavalcanti, VP de Criação da Agência Ampla:

“Na hora de contratar um criativo, o currículo não é tão importante. Mais vale o portfolio e também a referência de outros criativos com quem ele já trabalhou. Geralmente, quando eu vou contratar alguém, procuro saber não só a respeito dos trabalhos que ele já desenvolveu, mas também onde ele já trabalhou, com quem, por que saiu de lá etc. Sempre tento ter referências de pessoas cujo critério eu confio e que conhecem aquele criativo. É um caminho mais rápido e, quase sempre, mais eficiente. Um dos grandes desafios de um diretor de criação é administrar pessoas. Portanto, talento é importante, mas a capacidade de trabalhar em grupo, de forma solidária e proativa, é tão importante quanto. Claro que apresentar o currículo é sempre bom, mas ele não decide muita coisa quando o assunto é criação.”

Roberta Falcão, Gerente de Recursos Humanos na Gruponove Comunicação:

“Sou gerente de Recursos Humanos do Gruponove e atuo nesta área a mais de 10 anos, neste tempo me deparei com todos os tipos de currículos. Em agência de publicidade o que nós levamos em consideração é o portfólio do profissional e suas experiências anteriores no mercado.”

Luciana Fonsêca, Diretora de Criação da Morya Recife e da Morya São Paulo:

“Processo seletivo, sempre analiso currículo e portfólio. Mas no caso da criação, os portfólios são mais decisivos do que os currículos. Se estamos analisando a criatividade na apresentação do profissional, vou comentar sobre a construção do portfólio. Acho que um cuidado nesse aspecto pode ser considerado “a cereja do bolo”. A criatividade nas peças é o “recheio”, o ponto mais importante. Porém, se a forma de apresenta-las tiver um diferencial, é claro que marca. Já acessei portfólios digitais com esse perfil. Em um deles, o redator criou anúncios que contavam um pouco da sua trajetória profissional e dispôs esses anúncios entre as peças reais do seu portfólio. Me chamou bastante atenção. Claro que isso precisa ser feito com muito critério para não ficar “bobo”. Afinal, se for forçado pode contribuir mais negativamente do que positivamente.”

Marco Clivati, Editor Chefe da Editora Europa (Revista Computer Arts Brasil):

“Em qualquer área de atuação, apresentar um currículo organizado, atualizado e com informações relevantes é algo fundamental para quem está em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. No caso dos profissionais de criação, dependendo da empresa que está contratando, apresentar um currículo criativo, que fuja dos padrões tradicionais, pode ser um diferencial. Porém, mais importante do que um currículo criativo, é apresentar um bom portfólio. Na área de criação, além do perfil pessoal e profissional, a análise dos trabalhos criados pelo candidato será o que fará a diferença na seleção do profissional.”

Rafael Galdino, Sócio-Diretor na empresa Quartel Digital:

“Currículos criativos até podem ganhar fama na internet, mas a questão de priorizar o layout e a forma é um problema, pois alguns deixam de focar no que realmente é importante: O conteúdo. Em algumas empresas, contudo, currículos criativos não são uma exigência, mas quando aparecem chamam atenção, isso pode mostrar certas habilidades de destaque, como a criatividade. Ele pode chamar atenção do recrutador, mas não será um fator decisivo, o que realmente conta é o conteúdo e a experiência.”

Romero Ayub, Diretor Técnico e Fundador da SERVHOST Soluções em Internet:

“Eu sinceramente acho desnecessário, o que vai importar é o conteúdo e toda a conversa com os candidatos selecionados”;

Filipe Vaz de Castro, Supervisor de Marketing do Grupo Ferreira Costa:

“Os currículos criativos são, antes de tudo, algo lúdico. Em uma busca rápida na internet encontramos vários que abusam da criatividade e, com certeza, deixariam (ou deixaram) seus avaliadores confusos quanto ao que fazer com tamanha ousadia. Mas ele precisa justificar seu uso, fazer parte do contexto, evitar excessos e, o mais importante, o conteúdo é o que realmente faz a diferença.”

Rodrigo César, Fundador da RPH Soluções que atua com Soluções Digitais:

“Se fosse optar por um currículo criativo ou não, optaria por um criativo. É um diferencial, mas dependendo da área também. Se estiver concorrendo para um cargo de chefia, não seria necessário um currículo criativo e sim um mais simples e objetivo; já se tiver concorrendo a um cargo na área de Design, artes ou até mesmo diretor de arte seria válido.”

Fátima Silana, Especialista em Inteligência, Comunicação e Monitoramento em Redes Sociais e Gerente de Projetos da E.life:

“Bem, sempre algo criativo será um diferencial, um plus, mas dentro dos seus limites. O que importa é que todas as informações fornecidas no currículo estejam claras e objetivas de acordo com a vaga oferecida, pois será o fator decisivo na escolha do perfil para a primeira etapa do processo seletivo.”

Fábbio Canto de Oliveira, co-fundador da empresa Desafio Criativo, referência nacional no incentivo à criatividade:

“Esbanjar da criatividade na hora de preparar o currículo vai depender muito da área pretendida. Por exemplo: se estivermos falando de cargos mais formais, acredito que o modelo tradicional ainda tem seu espaço. Mas se a vaga disputada for para uma agência de design ou publicidade, optar pelo diferente vai certamente dar destaque e chamar mais atenção, aumentando as chances de ser contratado. Imagine uma situação em que a empresa recebe dezenas de currículos, todos no formato tradicional, não tenho dúvidas de que um belíssimo currículo criativo, com excelente apelo estético, se destacaria no meio de tantos outros brancos e com muito texto. A inovação e ousadia na apresentação do currículo torna a leitura mais agradável e objetiva, e todo capricho não será em vão, pois antes mesmo da leitura ser feita, o impacto visual já causou uma boa impressão.”

Tendo base nos depoimentos acima fica notório que o envio do Currículo, seja ele criativo ou tradicional, é necessário e que algo inovador é sempre importante, mas sem excessos. Na dúvida, tenha sempre em mãos ambas as opções, sempre acompanhados do bom senso da “estética”. Em ambos os Currículos principalmente os ditos não criativos, evitem usar aqueles modelos prontos da internet ou que conseguimos com amigos ou primos, esbanje em organização e clareza, não polua o material com informações desnecessárias, e, claro, nunca minta quanto às suas atribuições.

No final, o que conta mesmo é seu Portfolio, mantenha-o atualizado e nele sim esbanje criatividade, esse é o fator primordial para destaque dentre os demais concorrentes, além claro, da experiência de mercado. Para você que é estudante, a Professora Universitária Meiriedna Queiroz, Publicitária e Mestre em comunicação pela UFPE explica que: “Um Currículo tem que ser funcional, adequado e se possível criativo. Se for para um profissional da área de comunicação, Design, Moda etc, é de esperar um currículo criativo porque estas profissões tem base na criatividade. Então, é sim necessário e se destaca dos demais. Mas não chega a ser um fator decisivo, o que vai ser decisivo é o que tem no currículo e também como o candidato se sobressai numa entrevista. Minha opinião é que o candidato tem que ser criativo e o currículo criativo é uma consequência disso. Ele também quer demonstrar esta criatividade na prática e conseguir demonstrar na entrevista, também tem que saber montar seu portfolio, saber se apresentar faz parte do jogo.”

Para não sair da rotina, seguem alguns exemplos de Currículos criativos para conhecimento e eventual inspiração.

Currículo

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Iran Pontes

Formado em Design Gráfico pela Faculdade UNIBRATEC em Recife, tenho tenho 21 anos e sou apaixonado por tudo que envolva Design, artes e ações criativas. Além disso sou cristão, freelancer atuando com interfaces e gráfico e estudo cada vez mais sobre Marketing Digital. Duvidas? Jobs? Me procura no Twitter ou Facebook.

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