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Fotografia e Direção de Arte. Tem a ver?

Leo Arcoverde 30 de Março de 2013
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Olá pra todos!

Pra quem não lembra – faz algumas semanas que não posto – Eu sou fotógrafo e Diretor de Arte, com uma formação em Design Gráfico. Eita, confusão… Claro que não, são áreas correlatas. Dentro da publicidade, principalmente aqui no NE e em agências pequenas do resto do país, há uma confusão sobre o papel do D.A.

Originalmente, e atualmente nas grandes agências do Sudeste e do mundo, o diretor de arte, ou editor de arte é o profissional que, geralmente, gerencia a atividade de design e concepção artística de um produto audiovisual, incorporando uma série de funções dentro do projeto. Ou seja, atua como um coordenador da equipe de criação visual da peça a ser elaborada. Não é bem o que temos nas pequenas agências, como citei acima, onde o D.A. acaba que é o cara que ativamente cria as peças, desde seu rough (ou rafe para alguns) até a arte-final.

Isso serve como um bom exemplo de multifuncionalidade: Nesse sentido, ele deve ter conhecimento em áreas como design gráfico, audiovisual, multimídia, web, TV, rádio, etc. E aí se inclui a fotografia.

ilustração de Eduardo Schaal | CGNetworks.com

Mas ser designer é o mesmo que ser D.A.? É normal essa confusão, pelas atribuições que o designers que trabalham em agência recebem.  O designer trabalha com a parte conceitual do projeto, trabalhando com técnicas, referencial, pesquisa de mercado, estudo de possibilidades, estudando conceitos de psicologia, ergonomia cognitiva, semiótica, teoria das cores, tipografia, percepção visual, etc. Seu trabalho não fica limitado à criação de peças publicitárias, já que ele pode atuar diagramando edições de revistas, criando produtos, embalagens, marcas, sites, etc. Já o diretor de arte – em teoria – é responsável por criar e fiscalizar o layout dos anúncios da campanha, seja ela em qualquer meio. É o responsável por deixar a campanha coerente em todas as mídias. Ou seja, ele deve estar atento para um banner da web não esteja com layout diferente do anúncio do jornal.

Acima, um bom exemplo de atuação do D.A.: São páginas da campanha americana das Havaianas, em revistas e mídias diferentes, mas todas elas com o mesmo aspecto e conceito. Possuem unidade.

Deu pra limpar a mente sobre o que cada um faz? A atividade de um designer engloba a direção de arte, mas não se limita só a mesma. É uma das áreas de estudo do curso. Já o D.A. – novamente em teoria – não deveria criar produtos, rótulos, sites, marcas etc, que são atribuições de um designer. A gente sabe que há uma penumbra aí nas funções. Acontece.

Mas e a fotografia, Leo, como ela se encaixa aí? A fotografia é uma arte visual, portanto precisa de… direção. Toda foto tem de transmitir algo, um conceito, um sentimento, uma ideia. Para isso organizam-se os elementos presentes no quadro de modo a facilitar a recepção da idéia pelo espectador – ou consumidor – que observa a foto. Mesmo as fotos autorais, ditas fine-art e artísticas, tem uma direção. Nada vem do puro e simples caos. Seja no ato de orientar as expressões de uma modelo, no posicionamento do produto a ser fotografado ou até mesmo na composição da cena fotografada, é direção. São escolhas a serem feitas, que podem incutir o sucesso ou a falha de uma campanha. Bons diretores de arte, se aprenderem as técnicas de fotografia, darão bons fotógrafos.


 


Nada é posicionado por acaso na fotografia. Tudo é pensado para a melhor forma de transmitir a mensagem desejada, assim como em toda a publicidade. A melhor definição do que é a direção de arte em cinema – que podemos aplicar à fotografia – que já li, veio da cineasta Lina Chamie: “tudo que você vê na tela, enquadrado pela câmera, é direção de arte.”

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Leo Arcoverde

Leo Arcoverde, designer, publicitário (diretor de arte), fotógrafo, ilustrador e metido a redator nas horas vagas. Geek com mau-humor matinal, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático às vezes. Nem sempre.

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