Digite para buscar

Profissional x Amador

Diogo Travagin 13 de setembro de 2013
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– E aí, João, vai para onde com esse equipamento todo?

– Vou visitar um cliente, Pedro. E vou aproveitar para fotografar os produtos que ele quer divulgar. E você está com muito serviço pelo visto. Não saiu da frente do computador a manhã toda.

– Ih, João, você está por fora. Estou navegando a toa agora. O que eu tinha para fazer, eu já fiz e nem precisei disso tudo que você está carregando. Um mouse e um bom site de buscas me ajudam a poupar tempo.

– Ué, como assim? Você não visita seu cliente? Não produz fotos e vídeos sobre a empresa para expor nas mídias sociais?

– Eu? Claro que visito. Todo fim de mês eu visito meus clientes para receber o money. João, com esse site de buscas que estou te mostrando, você acha que eu vou ficar indo visitar cliente, comprar equipamento e me estressar? Olha só isso: eu digito o que eu busco, “baixo” a foto e crio o post. Pronto, job finalizado.

– Isso é errado, Pedro. Essas fotos que você tem usado nem condizem com a realidade do seu cliente. Esse tipo de prato aí ele não serve no restaurante dele. Você está promovendo propaganda enganosa e pode prejudicar seu cliente. Além do mais, esse tipo de atitude é ruim pra nossa área que acaba sendo desvalorizada.

– Relaxa, João. Você e seu profissionalismo, cursos em faculdade x, aprimoramento em escola tal. Deixa eu me virar do meu jeito e você continue do seu modo. Todos ganham. Só que eu não preciso ficar adulando empresário. Enfim.

– Ah, Pedro, sinto muito, mas você é um amador de primeira! E é por existir “trabalhadores” como você na área de mídias sociais, que, dificilmente, profissionais como eu, principalmente nesse interior de meu Deus, temos a devida valorização. Bom, eu vou trabalhar. Talvez daqui um tempo as empresas passem a enxergar e separar o profissional do amador.

Situações como essa não são difíceis de encontrar por aí. Em grandes centros talvez isso ocorra menos, não tenho propriedade para comentar sobre isso, mas no interior é o que mais acontece. Pessoas que se dizem entendedoras de Facebook (pra elas só existe esse canal) levam empresários na conversa em troca de alguns trocados para poder curtir o fim de semana, já que não possuem conhecimento adequado e experiência para planejar, gerenciar, dar direcionamento às ações e decidir em quais redes sociais investir para o cliente. Esse tipo de atitude acaba por prejudicar o mercado publicitário que não recebe a devida valorização e profissionais acabam por “brigar” por espaço com amadores, implicando num descontentamento tanto de empresas, por não receberem o serviço de acordo com o que foi combinado, mal feito, quanto de profissionais, que veem portas sendo batidas nas suas caras por estares cobrando o preço justo.

Enquanto não houver uma mudança cultural, principalmente em cidades interioranas, em relação à utilização correta de mídia social em benefício da empresa, enquanto o profissional que utiliza essa ferramenta de comunicação não for valorizado, não só financeiramente, mas também com a criação de cursos em regiões mais afastadas dos grandes centros, pessoas qualificadas, infelizmente, sofrerão com a concorrência e prostituição do mercado causada pelos amadores.

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Diogo Travagin

Formado em Marketing e Propaganda com especialização em organização de eventos. Redator apaixonado pela publicidade, geek, produtor e apresentador do Piicast no Rádio. Adoro mídias sociais e sua capacidade de interação com o consumidor. Envie críticas, dúvidas ou elogios pelo e-mail: diogoctravagin@gmail.com

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