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Vamos abrir uma agência?

Hugo Pires 2 de dezembro de 2013
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abrir uma agênciaImagem: Shutterstock.com

“O publicitário é contratado para comunicar a imagem de seus clientes através de estratégias elaboradas sob técnicas e pesquisas. Deve atuar dentro dos limites propostos pelo contratante, o que inclui verba disponível e objetivos desejados. Ao profissional de publicidade cabem duas linhas de raciocínio: a técnica e a cultural, que juntas atingem os objetivos delimitados. Assim, a publicidade alcança o público-alvo através desta união: arte + informação”.

O publicitário move o mundo do capitalismo e faz o que quer, como quer, e preferencialmente da maneira correta e assim o mundo é perfeito, com disputas criativas e positivas para aperfeiçoamento cada vez mais do mercado, certo? ERRADO!

O ditado popular “de publicitário todo mundo tem um pouco” traz em suas entrelinhas o porquê essa profissão é uma das mais desvalorizadas na maioria do mercado, principalmente nos mais conservadores e de regiões interioranas. “Qual o sentido de pagar uma pessoa para fazer uns rabiscos para minha empresa e dizer que é um redirecionamento de marca? Isso eu mesmo faço”. “Porque pagar para um menino com alargadores e piercings fazer uma campanha se eu posso pedir pro senhor lá do jornal montar uma propaganda pra mim do jeito que eu quero e de graça?”. “Toda essa grana para fazer um monitoramento de mídias sociais? Pode deixar que eu peço pro meu sobrinho abrir um Orkut pra minha loja!”. Falta de confiança e credibilidade é uma grande barreira que existe ainda entre a publicidade profissional e o mercado interiorano, mas o grande culpado dessa barreira somos nós, publicitários, ou melhor, alguns de nós.

Cada campanha sem planejamento, cada veiculação escolhida com foco na comissão de veiculação, cada marca fracassada e cada supervalorização de produto publicitário foi um tijolo nessa muralha que tentamos a marretadas derrubar. E o mercado não é tonto. Estudamos no mínimo infinitos quatro anos que podemos controlar as vontades dos consumidores através de imagens, palavras, ações e outras formas que agem no subconsciente, e por fim, nós mesmos criamos essa nossa imagem sobre os NOSSOS CONSUMIDORES. Não se pode dizer que por isso somos a pior raça de profissionais, nem que somos corruptos, é apenas aquela velha história de cada um vendendo o seu peixe da maneira que lhe convém e que lhe importa. Não podemos também chorar aos litros e dizer que está tudo perdido, precisamos acreditar que é somente uma fase, que poderia nem existir, mas já que existe, o que resta é lutar para que o mercado se profissionalize cada vez mais, pois é assim com tudo no planeta: “a seleção natural”, onde os bons permanecem.

Mesmo sabendo de toda essa imagem de não leais, ambiciosos e prepotentes que a maioria dos comerciantes de varejo tem sobre os publicitários, muitos de nós insistimos em montar seu próprio negócio ou abrir uma mega agência e revolucionar o comércio com propagandas criativas, ações inovadoras e, com certeza, o “muito mais”. E ainda como se não bastasse tudo isso, é necessário ganhar muito dinheiro. Então aí é onde entra o meu “HUNF”! É claro que tudo isso pode ser exagero, mas como um bom publicitário, é preciso drama e criatividade para fazer as pessoas refletirem. Com vocês agora, o lado racional:

Sem essas mentes brilhantes que tem o sonho de ter a sua agência fazendo sucesso e ser conhecida por seus prêmios e qualidade, estaríamos ainda no ponto zero, e não como hoje, onde alguns, não a maioria, mas um bom tanto se importa com a imagem da empresa, com as campanhas profissionais e entende que um bom investimento (contrário de gasto) só é aquele que traz lucro para quem investe. Por isso é preciso planejamento, é preciso brainstorm, é preciso briefing detalhado, é preciso profissionalismo e ainda nada disso serve se não houver garra, determinação, paciência e qualidade para realmente entrar no mercado publicitário sem fazer feio. Conseguir abrir caminho entre as marteladas e chegar com uma britadeira na muralha da incredibilidade.

Go, go, publicitários!

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Hugo Pires

Formado em Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Uniara, curte design, fotografia e música, nada de novo pra um publicitário que preferia aos comerciais do que aos desenhos quando criança.

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