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A lenta morte dos Orelhões

Diego Ramirez 20 de Janeiro de 2014
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Quem nunca utilizou um ORELHÃO? Pelo menos uma vez na vida. O Telefone Público há muito tempo já se consolidou como ferramenta fundamental para a comunicação. Em 1972, foi lançado no Rio de Janeiro e São Paulo simultaneamente, um ícone do design brasileiro. Trata-se do Orelhão, a cabine telefônica criada pela arquiteta e designer Chu Ming Silveira (1941-1997), que na época chefiava a Departamento de Engenharia da Companhia Telefônica Brasileira. A ideia partiu do formato do ovo, que segundo a designer era a melhor forma acústica. O orelhão foi concebido em fibra de vidro que ao mesmo tempo era leve, porém muito resistente às intempéries.

Confira o projeto:

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Os primeiros orelhões foram instalados pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB) no Rio de Janeiro no dia 20 de Janeiro de 1972 por ocasião do dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, em seguida foi São Paulo que recebeu as cabines no dia de seu aniversário, em 25 de Janeiro. No ano de sua criação, a CTB registrava 4.200 aparelhos. O projeto foi e rapidamente se espalhou por todo o Brasil e até nos países da América Latina.

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A Telefônica decidiu desativar os orelhões duplos e triplos, que geralmente estão localizados em áreas com grande movimentação de pessoas. O objetivo é deixar apenas um telefone disponível nesses pontos.

Equipamentos instalados em áreas com pouca circulação e baixa utilização também serão retirados. A promessa da operadora de telefonia é sempre manter um orelhão próximo, de forma que o usuário não ande mais de 300 metros para encontrar um aparelho.

Os números da Anatel são ilustrativos deste movimento. Em quatro anos, as receitas geradas pelos orelhões em todo o país caíram quase 300%. Enquanto em 2006 os TUPS produziram R$ 2,3 bilhões de receitas para as concessionárias, em 2010 não somaram mais do que R$ 600 milhões.

A quantidade de cartões indutivos adquiridos também cai significativamente ano a ano. Em 2006 foram comercializados 600 milhões de cartões. Em 2011, apenas 100 milhões.

Hoje, as chamadas a cobrar dos orelhões geram mais créditos do que as ligações faturadas nos próprios TUPs. Em fevereiro de 2012 eram 200 créditos faturados por TUP por mês, enquanto as chamadas a cobrar somavam 400 créditos. Ou, o orelhão só está sendo usado pelo usuário que nem dinheiro para pagar uma ligação tão barata tem.

Da moeda ao cartão

Foi um longo caminho até chegar ao modelo atual. Em 1934, para fazer uma ligação era necessário ter uma moeda de 400 réis. Porém, com a mudança da moeda brasileira em 1945, foi necessário mudar também o dispositivo interno dos telefones, que passaram a receber duas moedas de 20 centavos.

Para evitar o retrabalho de alterar a configuração dos aparelhos toda vez que a moeda do país fosse modificada, foi criada a ficha telefônica. Os usuários adquiriam as fichas em postos de venda e com elas realizavam suas ligações.

Ainda assim o problema não foi solucionado, pois cada companhia possuía modelos de fichas exclusivos, de acordo com a localidade. Ou seja, quem adquiria as fichas em uma cidade, não conseguiria utilizá-las em outra.

Foi então que em 1964 a CTB criou um modelo de ficha padrão, que poderia ser utilizado em todo território atendido pela companhia. As fichas foram utilizadas até o ano de 1992, quando o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Telebrás – CPqD – criou o cartão telefônico que vai subtraindo os créditos de acordo com o tempo de ligação. Esse cartão é utilizado até os dias atuais.

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O custo da vandalismo

Segundo a Telefônica, 25% dos orelhões do Estado passam por algum tipo de vandalismo todos os meses. A empresa gasta anualmente R$ 19,2 milhões para recuperar os aparelhos.

Nem sempre a depredação é visível. Segundo a empresa, parte considerável dos aparelhos apresenta defeitos devido a pancadas, introdução de materiais estranhos, além de outros atos de vandalismo capazes de provocar problemas nos equipamentos. Casos de pichação também são considerados atos de vandalismo.

Apesar do número elevado de depredações, o Estado de São Paulo não é o que tem mais registro de vandalismo contra telefones públicos. O Pará lidera este ranking: 28% dos telefones públicos do estado foram danificados por ações de vandalismo no ano passado.

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Comercial ‘’Morte do Orelhão’’

Em 1980, Neil Ferreira, José Zaragoza e Nelo Pimentel conseguiram matar um orelhão num comercial. E entraram para a História por isso. O comercial que foi Ouro no Festival do 5º Anuário do Clube de Criação de São Paulo. Os orelhões sempre foram alvos de vandalismo. Para combater este crime contra o patrimônio público a TELESP lançou esta campanha criada pela agência DPZ em 1979. Anúncio, intitulado “Vandalismo”, mostra um orelhão agonizando em praça pública, enquanto pessoas se amontoam em sua volta e assistem seu triste fim.

Confira o vídeo:

Modelos de Orelhões Adaptados

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Designers em Nova York imaginam o orelhão do futuro

A cidade de Nova York promoveu uma competição para estimular o desenvolvimento dos telefones públicos.

Segundo Rachel Haot, funcionária do departamento digital da prefeitura da cidade, o motivo por trás da competição é o fato de as pessoas estarem mudando a maneira com a qual se comunicam.

Confira a reportagem:

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Diego Ramirez

Mato-Grossense de 22 anos, Agnóstico e graduando em Publicidade e Propaganda. Atualmente trabalho como Social Media, apaixonado por mídias digitais, amante da fotografia, fã de zumbis e música eletrônica, curioso e observador. Procuro sempre em ficar atualizado sobre o mercado publicitário e novas ferramentas de criação. E agora criador de conteúdo no Blog Plugcitários.

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