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Companhia aérea japonesa é censurada por espectadores

Diogo Mattos 24 de Janeiro de 2014
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Nippon airline

Entra ano e sai ano e aquele velho debate continua: Será que existe limite para publicidade? Bom, essa resposta para os criativos é instantaneamente óbvia: claro que não, pois se limitarmos nossas ideias ao que vão pensar não criamos mais nada. Ai você leitor me diz: não deveria existir censura para grandes ideias, mas existe o CONAR que regula todo conteúdo publicitário Brasileiro e assim como ele cada país tem seu órgão regulador. Pois bem, e quando não existe uma entidade? E quando o próprio público censura?

Foi o que aconteceu na última semana com a mais recente campanha da All Nippon Airways (ANA), companhia área Japonese. O comercial foi considerado “preconceituoso” por mostrar um japonês com o nariz aumentado, denotando que o povo ocidental tem nariz grande. Tal fator foi acentuado pela presença de uma peruca loira no personagem japonês, o que em conjunto com o nariz avantajado deixou claro para alguns espectadores estrangeiros que a ironia era para eles.

Não preciso nem dizer que o filme foi temporariamente retirado do ar com um porta-voz da ANA dizendo que a empresa “não queria ofender ninguém” e que o propósito foi unicamente a promoção das rotas internacionais do aeroporto de Haneda, em Tóquio.

O filme

No filme (assista abaixo) vemos dois pilotos conversando em inglês sobre a ampliação das rotas internacionais da ANA e a necessidade eminente de tornar a imagem deles mais globalizada. E então a parte polêmica começa: uma referência clara é feita sobre a necessidade de se “mudar a imagem” dos japoneses, mostrando em seguida um dos pilotos com a tal peruca loira e o nariz grande, o que traduz o estereótipo dos ocidentais no Japão e em outros países da Ásia oriental.

A Polêmica

Ao meu ver, este é mais um caso clássico que ilustra como as vezes uma propaganda pode dar errado, pois ficou evidente pelo vídeo que a ofensa foi longe de ser uma intenção da companhia área. Tal ocorrido me faz questionar: O que leva um comercial que tinha tudo para ser bem executado dar errado? Uma resposta simples me passa pela cabeça e me diz que um criativo nunca pode imaginar qual vai ser a reação de seu target e portanto nas vezes onde o órgão regulador não censura, os espectadores podem fazê-la e ainda mais veemente. Isto também prova aquela velha máxima de que hoje em dia, num mundo de tecnologia avançado e literatos em computador e Internet, o poder esta cada vez mais na mão da audiência, do consumidor.

Desta forma, parabéns a ANA e a agência idealizadora do comercial, pois a intenção foi muito boa, apesar de a repercussão ter boicotado a execução. A tentativa foi ótima, porém vale lembrar que da próxima vez o foco tem que estar também no target.

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Diogo Mattos

Tenho 27 anos, sou publicitário, especializado em redação, recém formado em mídia e comunicação pela University of East London, localizada em Londres. Aqui estou, para agregar minha visão de redator publicitário ao fatos da publicidade atual que mais chamam nossa atenção. Também escrevo para o meu blog pessoal www.activebrain-diogo.blogspot.com, onde publico artigos em inglês e português sobre temas relacionados ao mundo da comunicação e mídia atual.

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