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CVV reescreve destinos tristes e acende uma luz de esperança

Diogo Mattos 6 de Maio de 2014
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Como redator publicitário em início de carreira, sempre procuro me atentar para a importância do papel da redação no cotidiano da propaganda. Seja um viral, anúncio impresso, comercial e principalmente ações digitais, a redação tem um papel fundamental e visível de conectar os pontos e estabelecer um conceito e posicionamento que serão de grande utilidade para a campanha a se realizar futuramente. Não estou classificando as funções em grau de importância e muito menos colocando os redatores no topo, afinal de contas o que seria do redator sem o diretor de arte, sem o planejamento, sem o atendimento, enfim, todos são importantes. Porém, como fio condutor de diálogos com o consumidor, a criação joga um jogo crucial.

Pensando nisso tudo, fiquei maravilhado quando vi a sacada que a Leo Burnett Tailor Made teve ao criar a mais nova campanha do Centro de Valorização da Vida (CVV). A ideia foi reescrever cartas famosas de pessoas que se suicidaram de maneira que as mesmas palavras usadas nas cartas discorressem para um outro final para os autores, como você pode conferir nas imagens abaixo.

A ONG por trás da campanha

Para quem não conhece a CVV é a ONG mais antiga do Brasil, tendo sido fundada em 1962. A organização é hoje constituída por voluntários que prestam apoio emocional gratuito para a prevenção do suicídio, visionando “uma sociedade compreensiva, fraterna e solidária”.

A campanha objetiva solucionar um problema eminente observado por voluntários da instituição: a falta de conscientização e de comunicação. Tais fatores contribuem, e muito, para a redução das chances de prevenção de suicídio.

Em depoimento colhido pela revista Meio e Mensagem, a voluntária Adriana Rizzo afirma que “Muitas pessoas nos procuram porque as emoções se acumulam sem serem bem resolvidas, o que dificulta a clareza sobre as situações da própria vida. Ao se sentir acolhido, sem pressões ou cobranças, a própria pessoa reorganiza seus pensamentos durante a conversa com o voluntário do CVV e encontra outras saídas.”

De volta ao que importa

E recapitulando o que expus na introdução a este texto, vejo neste um ótimo exemplo de como a redação é fundamental na construção de campanhas peças. A Leo Brunett fez da redação o seu elemento de comunicação fundamental, numa boa sacada de utilizar um recurso comum da elaboração de cartas de suicídio para construir uma narrativa positiva. Claro que não podemos dizer que 100% dos casos serão resolvidos, mas ao menos a campanha ataca os principais problemas de frente, com simplicidade e objetividade como o caso necessita.

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Diogo Mattos

Tenho 27 anos, sou publicitário, especializado em redação, recém formado em mídia e comunicação pela University of East London, localizada em Londres. Aqui estou, para agregar minha visão de redator publicitário ao fatos da publicidade atual que mais chamam nossa atenção. Também escrevo para o meu blog pessoal www.activebrain-diogo.blogspot.com, onde publico artigos em inglês e português sobre temas relacionados ao mundo da comunicação e mídia atual.

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