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Pedido de alteração na propaganda ‘ordinária’: Você concorda? Eu não.

Gilberto Júnior 4 de junho de 2014
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Frame-Compadre-Washington

No dia 27 de maio deste ano, o Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária decidiu, por votação unânime, pela alteração do anúncio do site de vendas ‘Bom Negócio’. O vídeo em questão chama-se ‘Bom Negócio – Compadre Washington’. A decisão do Conselho foi baseada na reclamação de cinco mulheres, que se sentiram ofendidas pelo termo ‘ordiná[…]’, usado nas últimas palavras da personagem nesse vídeo.

Já que citei o motivo da decisão do Conselho, começo a falar desse ponto. O termo não é usado na sua forma literal, ou seja, a personagem não chega a pronunciar a palavra por inteiro, e mesmo assim os relatores da reclamação e também os presentes ao conselho optaram por entender o uso total, assim como a forma em que, em sua visão, foi empregada na peça. Entendo que a personagem realmente teria dito esse termo, mas antes disso, vamos analisar a peça por inteiro, antes de chegarmos até o termo alvo da reclamação.

Durante toda a campanha do anunciante, o mote e o conceito são os mesmos: a personagem que ali está no vídeo, neste caso o Compadre Washington, não é uma representação de si mesmo, mas sim de um objeto, ou seja, o Compadre Washington está ali como uma representação simbólica da ação do rádio presente na cena. Dessa mesma forma está o Supla como representação de uma bateria em outra peça dessa mesma campanha, o Maradona como representação de um sofá em outra peça, e assim por diante. Todos eles estão presentes na cena como representantes de um objeto e para que o anúncio tenha sentido, eles se encaixam na condição de locutores desses objetos. Em todos os vídeos, a trama gira em torno de uma representação de ação do cotidiano de determinadas pessoas e esses objetos, nesta ação apresentada, tem uma atitude totalmente inconveniente com os protagonistas. E de tão incômodos que eles se tornam naquele momento, mais do que depressa, o próprio protagonista ‘se livra’ desse objeto, ou seja, é na verdade uma ação de defesa.

Voltando para a análise do vídeo ‘Compadre Washington’, o objeto rádio e seu locutor Compadre Washington assumem uma postura de total desrespeito com os protagonistas. Inclusive, vale ressaltar que são usados alguns termos para a mulher e também para o homem. E depois de todo esse discurso do objeto e seu locutor, o homem, que supostamente é o marido da mulher presente na trama, se livra do objeto que os incomoda.

Creio que a opinião e reclamação dessas cinco mulheres, repito, foram apenas CINCO, foi de maneira precipitada. Mesmo olhando pelo lado de consumidor, sem a análise crítica de um comunicólogo, percebe-se claramente três pontos: é uma peça de humor, onde o fato deve ser levado como uma atitude engraçada de um ‘rádio’. Não que o humor possa falar tudo, mas o humor faz parte da cultura e é perceptível o lado cômico para qualquer um. O segundo ponto é que a palavra não chegou a ser usada, dando assim o sentido de que não deveria, caso contrário não teria o porque cortar do texto. E por último, a mulher foi defendida por causa da atitude não gentil daquele objeto. Sinceramente, não considero muito difícil a percepção disso em um vídeo.

A minha indignação, queridos amigos e profissionais da comunicação, não é por conta dessa peça, mas sim por conta de toda uma visão em relação a propaganda que é usada da mesma forma em que era quando Conselho foi criado, em 1977. Parece que os mesmos preceitos usados desde aqueles tempos, também são usados para hoje. E sinceramente, é um absurdo que isso não tenha evoluído.

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