Digite para buscar

Funk ostentação: um sonho de consumo

Igor Di Ferreira 12 de novembro de 2014
Share

Foto por Renato Frade [www.facebook.com/RenatoFradeFotografia]

É provável que você já tenha ouvido algo sobre funk ostentação, estilo musical brasileiro que surgiu na periferia de São Paulo, derivado do gênero funk carioca e segundo os próprios funkeiros foi inspirado no estilo de vida dos rappers americanos.  Mas, antes que você pense que está em um site que aborda o universo musical, eu vou explicar a relação entre o funk ostentação, redes sociais e consumismo de um modo geral. Vamos lá!

O público que consome o funk ostentação na sua grande maioria, é de adolescentes e jovens das classes C e D. A internet possibilitou a divulgação gratuita do trabalho dos funkeiros, seus clipes chegam a centenas de milhares de views no YouTube, além dos milhões de downloads de músicas. Números impressionantes para artistas oriundos da periferia, que até então não conseguiam notoriedade no cenário artístico nacional.

A fan page do Mc Guimê, por exemplo, um dos precursores do estilo, conta com mais de 7 milhões de fãs, sem contar os seguidores dos perfis de outras redes sociais. Pra se ter uma ideia algumas marcas de empresas multinacionais, não tem no Facebook metade do número de fãs do MC Guimê. Portanto, o sucesso e disseminação do funk ostentação no Brasil, deve se a revolução digital. Viva a internet!

Mas o que isso tem a ver com o mercado? Para citar um exemplo, em um filme criado pela WMcCann, para o jornal O Estado de São Paulo, o Boneco do Estadão canta um funk “ostentando” a importância da informação.  Sim, é a cultura da periferia influenciando a propaganda. Provavelmente esta ode ao luxo promovida pelo funk ostentação, tem agradado as marcas, que têm os seus nomes exaustivamente repetidos no refrão das músicas do estilo em questão. Se as letras grudam como chiclete, consequentemente as marcas também.

Além destes aspectos, vale ressaltar a discrepância entre o perfil socioeconômico do público alvo destas marcas de luxo e do público consumidor do funk ostentação. Mesmo com a divulgação espontânea dos produtos destas marcas, que é promovida pela classe C, a grande maioria dos fãs do funk ostentação, não possui poder aquisitivo para levar o estilo de vida ostentado por estes funkeiros.

Então, o segredo do sucesso seria cantar um sonho de consumo? Ou seria cantar sobre o que já foi conquistado? É notório que a ideia do consumo desenfreado é propagada pelo funkeiros, influenciando o comportamento destes jovens brasileiros. O funk ostentação transmite uma falsa ilusão de poder baseada no prazer que o consumismo oferece. “Sabemos que não podemos comprar, mas o que custa sonhar?” Sonhar não custa nada!

Tags:
Igor Di Ferreira

Publicitário e cantor, entre outras coisas afins (não necessariamente nesta ordem).

  • 1

You Might also Like