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Publicidade para quem?

Pablo Tarcísio 11 de Fevereiro de 2015
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comercial surdo e mudoImagem: shutterstock.com

Como publicitário, nosso objetivo geralmente é atingir o maior número de pessoas com nossas mensagens. Independente de ser uma proposta comercial, acadêmica, filantrópica ou outra qualquer, nós queremos ser ouvidos. Mas será que todas as pessoas estão aptas a receber nossas mensagens? Ou melhor, todas as nossas mensagens estão aptas para serem recebidas –e compreendidas- por todas as pessoas? A resposta é: Não.

Vamos fazer um teste. Desligue o som do seu computador e assista ao comercial abaixo.

Se você nunca tinha visto o VT antes, provavelmente não entendeu muita coisa. Agora imagine que nenhuma propaganda veiculada na televisão tem som. Com certeza fica bem mais difícil entender do que se trata, ou qual a mensagem que se quer transmitir ao consumidor. Pois bem, essa é a realidade de quase 800 mil brasileiros que possuem deficiência auditiva em diferentes graus. A grande maioria dos comerciais audiovisuais deixa essas pessoas “de fora” do seu público alvo, mesmo elas sendo clientes em potencial.

Como em qualquer outro meio social, é importante que as pessoas portadoras de necessidades especiais também se sintam incluídas nos processos comunicacionais do dia-a-dia. E a publicidade é um desses processos.

Algumas empresas fizeram campanhas que se comunicavam melhor com essa parcela da população, usando artifícios como tradução simultânea para LIBRAS ou legendas em seus anúncios audiovisuais, como podemos ver nos vídeos abaixo.

Propagandas como essas nos mostram que é possível fazer uma publicidade mais inclusiva de forma eficiente e divertida. Precisamos pensar amplamente, como publicitários e como cidadãos, para não perpetuar o vício social de tornar ‘o diferente’ marginalizado.

Pensando nisso como publicitário – e como cidadão – eu acredito que para mudarmos de atitude, tanto no âmbito profissional, quanto no âmbito pessoal, é necessário apenas que reflitamos um pouco e que sejamos criativos.

Porque assim como ‘esquecemos’ os deficientes auditivos, esquecemos também os deficientes visuais, os deficientes físicos e tantos outros portadores de necessidades especiais que não se encaixam no padrão que, por vezes, nós mesmos ajudamos a implementar. E de esquecimento em esquecimento eu me pergunto: No fim das contas, estaremos fazendo publicidade para quem?

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Pablo Tarcísio

20 anos, estudante de Publicidade e Propaganda da UFPE, fotógrafo, desenhista e pintor nas horas vagas. Amo bichos, abraços e viagens.

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