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Entenda a mente de R.R. Martin e saiba quem são os protegidos em Game of Thrones

Felipe Ferreira 17 de junho de 2015
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Desde o dia em que vi a cabeça de Ned Stark rolar, descobri um dos motivos que tornam Game of Thrones uma série tão especial. É espantosa (e realista) a frieza com que George R. R. Martin trata seus personagens, dispensando o clichê da separação entre certos e errados ou mocinhos e vilões, mostrando que cada um possui qualidades, defeitos e está à mercê das circunstâncias. Fica difícil prever se o seu personagem favorito estará vivo ao final de cada temporada. Sendo assim, fiquei curioso e resolvi investigar se existe algum padrão que afeta o giro da roleta fúnebre no Jogo dos Tronos. Acabei traçando uma teoria que pode lhes interessar…

A Iniciação

Para entender melhor a teoria, é preciso compreender o conceito filosófico que existe nela. Esse conceito lida com a relação entre indivíduos e sociedade. Isso porque existe uma corrente de pensadores que defende a construção do indivíduo com base no processo social, ou seja: nós somos algo e agimos de acordo com o que a sociedade nos impõe, o indivíduo é resultado da coletividade.

Outra corrente de pensadores defende exatamente o oposto. Ela defende a construção da sociedade com base nos indivíduos, ou seja: a sociedade é resultado de diversos incentivos individuais. Note que os dois conceitos contrários dizem “a sociedade molda indivíduo” e “o indivíduo molda a sociedade”. É um paradoxo, e não há como responder qual conceito está correto. Agora, siga para a teoria.

A Teoria

Pegue os dois conceitos apresentados acima e substitua a sociedade pelo Jogo dos Tronos e transforme os indivíduos em personagens. Desse modo, podemos enxergar duas linhas nas quais a primeira diz que “os personagens agem de acordo com o que o jogo impõe”, e a segunda diz que “o jogo funciona de acordo com o que os personagens impõem”. É ai que entra a grande sacada porque, segundo a minha teoria, a cabeça de R R Martin funciona com base nessa divisão. Quando a situação pende para o primeiro conceito, ele tende a ser benevolente, mas quando a situação pende para o segundo conceito, ele se mostra mais cruel e calculista. Assim podemos saber quem são os protegidos em Game of Thores. Veja os exemplos abaixo que sustentam essa teoria.

SPOILER ALERT !!!!

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Jon Snow

Por vezes ele esteve na mira dos selvagens, quase foi morto por seus companheiros de patrulha, enfrentou um Caminhante Branco e ainda não possui a morte confirmada. Ah se fosse o pai dele. Teria a cabeça cortada antes mesmo de atravessar a muralha.

Apesar de ser um grande protagonista, Jon Snow tem agido de acordo com o instinto da sobrevivência e autopreservação, tanto dele como dos demais envolvidos. Ele é claramente alguém que age de acordo com as imposições do Jogo (inclusive se recusou a fazer parte dele em diversas ocasiões) e por isso possui um baixo índice de ser vítima das circunstâncias, sendo mais previsível sua sobrevivência nos momentos de tesão.

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Khal Drogo

Classificá-lo como uma pessoa boa ou má é difícil devido ao pouco tempo em que ele participou da trama. O que se sabe é que Drogo vivia de acordo com as tradições Dothraki, mas a sua existência e influência sobre a horda já era um fator que repercutia no funcionamento do Jogo, tornando alto seu índice de ser vítima das circunstâncias.

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Jaime Lannister

Sor Jaime só matou o Rei Louco porque não teve outra escolha. Poucos suportariam seguir um rei desequilibrado, e na primeira temporada ele confessa pra Ned o sentimento de justiça que sentiu ao ver Aerys morto, porém foi tratado com desprezo. Além disso, ele sofre por não poder assumir seu amor com Cersei e pelo controle imposto por seu pai. Até mesmo o empurrão na torre pode ser remediado por sua mão decepada e pela desobediência de Bran. É um personagem que vive de acordo com as imposições do Jogo e graças a isso possui um baixo índice de ser vítima das circunstâncias que lhe rendeu a vida diante vários inimigos, entre eles os Boltons e Dorneses.

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Arya Stark

Me responda o que ela estaria fazendo hoje caso Robert não visitasse Winterfell? Provavelmente estaria despreocupada, levando a vida e praticando espada com Mycah (o filho do açougueiro) sem causar problema algum. Entretanto, o Jogo entrou com tudo na vida dela e não é preciso muito pra notar que suas atitudes são resultado do que o Jogo impõe sobre ela. Sendo assim, podemos classificá-la como uma personagem com baixo índice de ser vítima das circunstâncias. Pense em quantas vezes ela esteve perto da morte e sobreviveu.

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Robb Stark

Ele pode ter carregado a esperança de muitos por uma vitória do Norte e usar como argumento a decapitação do pai, mas é inegável que o Jogo dos Tronos foi muito influenciado por suas atitudes, ou burradas se assim for melhor. Não existe justificativa plausível para o seu egoísmo ao não ceder diante Stannis, tendo em vista que seu pai se curvava perante Robert. Isso sem falar no incidente com os Kastarks. Pela teoria, é alto seu índice de ser vítima das circunstâncias e por isso ele caiu na primeira vez em que isso foi possível.

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Stannis Baratheon

A análise desse personagem é um pouco polêmica. Ao observá-lo superficialmente, podemos vê-lo como um grande influenciador e enquadrá-lo como alguém que impõe as regras ao Jogo, aumentando o seu índice de ser vítima das circunstâncias. Entretanto, vamos pensar no início da trama onde ele era um cara conformado e depressivo, vivendo numa ilha escura e úmida, sem aspiração alguma ao trono e sem futuro também. Sua esposa com problemas psicológicos e a única filha e herdeira com graves sequelas do envenenamento com escamagris. Apesar disso, ele estava lá quietinho. Isso até o momento em que Robert morreu.

Agora se ponha no lugar do cara. Além de tudo que eu disse no parágrafo acima, você fica sabendo que o Jofrey, Tommen e Myrcella são três bastardos e usurpadores, fato que lhe dá direito ao reinado. Você também descobre que o seu irmão mais novo sabe disso, porém ignora e quer ficar com o trono ao invés de te apoiar. E pra terminar a obra, aparece a Melisandre. Ou Stannis começa a se movimentar, ou morre como um eterno pamonha. Por isso ele sofre com as imposições do Jogo, o que lhe confere um baixo índice de ser vítima das circunstâncias.

Exceções

Existem exceções que precisam ser avaliadas para saber se o seu personagem será ou não vítima das circunstâncias. A primeira delas se refere aos rivais Varys e Mindinho. Eles são claramente dois grandes influenciadores do Jogo, porém o modus operandi desses personagens é resultado daquilo que o Jogo fez com eles. É difícil classificá-los e por isso acredito que R. R. Martin tenha um apreço especial pelos dois, mas o Mindinho tem agido por ambição e isso tende a aumentar seu índice de ser vítima das circunstâncias. Quanto a Varys, é alguém que parece dançar a música tocada pelo Jogo. Sabe dançar muito bem, aliás.

Outra exceção são os personagens que eu chamo de “tranca ruas”. São personagens que independente da linha em que estejam classificados, é preciso dar cabo deles para que a trama possa continuar. O exemplo mais próximo disso é Oberyn Martell. Ele tinha motivos suficientes para odiar os Lannisters e A Montanha, e só aceitou participar do duelo porque os desdobramentos do Jogo criaram essa oportunidade e o empurraram para a arena. Entretanto, você consegue imaginar a Sonsa em Winterfell, o Banco de Ferro financiando Stannis, ou Tyrion contemplando a fuga de Daenerys nas costa do Drogon arregão se Oberyn tivesse vencido?

Afinal, quem são os protegidos em Game of Thores?

Após elaborar essa teoria e tentar conhecer a mente de R. R. Martin, se tivesse que apontar quais os protegidos da série, diria que são Ayra Stark, Tyrion Lannister, Jon Snow, Daenerys Targaryen e Brienne de Tarth.

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Mas Jon Snow Não morreu?

Bem.. Como dizem… O óbito só vale quando o legista assina. Apenas teremos certeza sobre o fim de Jon Snow e Stannis na próxima temporada. Devemos nos atentar aos detalhes dos livros também. Caso as mortes se confirmem, Melisandre e o Cavaleiro das Cebolas perderão o sentido na série, e com Sam fora da muralha, o arco do Norte se resumirá a uma possível fuga de Sonsa e ao carisma contagiante de Brienne. Não haverá mais muralha, selvagens ou Caminhantes Brancos. Algo pior que o núcleo de Dorne. Existe uma teoria de que Melisandre não irá deixar Jon morrer. Vamos pensar nela então.

Imagine que isso aconteça e que a Dama de Vermelho passe a influenciar Jon igual fazia com Stannis (não subestime o senhor da luz zica da balada porque ele já previu o futuro, transformou sombra em assassino e fez parar a neve no meio inverno). Assim, Jon elimina seus algozes e reforça a aliança com o Povo Livre. Mais ao sul da muralha, Sonsa consegue escapar e se encontra com Brienne. Ambas iniciam uma caminhada em busca do apoio de outros senhores na luta contra os Boltons.

Stannis é dispensável nessa hipótese, mas considerando que os Starks desejam apenas tornar o norte livre e que os selvagens almejam uma região despovoada, abre-se espaço pra ele seguir rumo a Porto Real, tomar o Trono de Ferro e garantir o cumprimento do acordo com os nortenhos. Além disso, revi a cena diversas vezes e fiquei com a sensação de que Brienne não concluiu o golpe. Não se costuma matar alguém sentado e encostado numa árvore com um corte lateral. O ideal seria cravar a ponta da espada na vítima para não prejudicar a lâmina.

E ai, o que acharam?

Espero que tenham gostado da teoria e se tiverem alguma coisa que eu deixei passar, acrescentem lá nos comentários. Até mais.

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Felipe Ferreira

Valorizo as mais diversas formas de comunicação e procuro sempre provocar algum tipo de reação nas pessoas. Me interesso por um monte de coisas e gostaria de ter tempo infinito para aproveitar todas elas.

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