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Redes Sociais: a banalização da morte

Diogo Travagin 3 de julho de 2015
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morte rede socialImagem: shutterstock.com

Nós estamos no ano de 2015 e é impossível contestar a força e o alcance que as redes sociais têm ganhado, ano após ano, em nossa sociedade. É muito difícil encontrar alguém que não esteja presente em alguma mídia social, como Facebook, Instagram e Whatsapp, por exemplo. Passou a existir novas maneiras de nos comunicarmos, a internet facilitou o compartilhamento de mensagens, fotos e áudios entre amigos e parentes. Também se pode dizer que esses sites e apps de redes sociais tornaram-se grandes ferramentas de aproximação entre empresas e pessoas, pois elas possibilitaram o surgimento de novas estratégias de relacionamento em um mercado cada vez mais competitivo.

Mas, com o crescimento e popularização das redes sociais, um fato chama a atenção: a banalização da morte. Tal situação se dá devido ao modo como estamos lidando com essas ferramentas de uns anos para cá. Assim como as usamos para comunicar algo pertinente, nós também a usamos para compartilhar conteúdos que podem prejudicar pessoas alheias ao nosso círculo social.

Vamos nos ater, neste post, ao caso das fotos de pessoas mortas, que são espalhadas em questão de segundos após o óbito da vítima. Já está se tornando comum o compartilhamento de fotos de acidentes, assassinatos, suicídios, enfim. Se for famoso, a curiosidade pelo fato é maior do que a sensação desagradável de ver tal conteúdo. Nós estamos deixando nosso lado selvagem e indiferente preponderar diante da vida que se foi. Não estamos mais preocupados com a dor da família e amigos da vítima e, sim, buscando cada vez mais alimentar nossa curiosidade mórbida.

No dia da morte do cantor Cristiano Araújo, não era nem 8 horas da manhã e as fotos do acidente que o vitimou já estavam sendo compartilhadas nos grupos que participo no Whatsapp. Um desrespeito. Não por ser ele, mas por ser mais uma pessoa morta que teve fotos nada interessantes espalhadas pelas redes. A nossa exposição ultrapassou a barreira do bom senso e estamos perdendo o controle sobre nossas imagens diante de tanta exibição de nossa intimidade pelas redes sociais.

Para finalizar, deixo aqui um questionamento: Vocês que recebem conteúdo inapropriado e o repassam, qual seria a reação de vocês ao verem a imagem ou vídeo de um parente ou amigo próximo?

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Diogo Travagin

Formado em Marketing e Propaganda com especialização em organização de eventos. Redator apaixonado pela publicidade, geek, produtor e apresentador do Piicast no Rádio. Adoro mídias sociais e sua capacidade de interação com o consumidor. Envie críticas, dúvidas ou elogios pelo e-mail: diogoctravagin@gmail.com

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