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Inspiração: quem procura, acha!

Marcos Nascimento 16 de novembro de 2015
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shutterstock_171929330Imagem: shutterstock.com

Quem criou a roda, não se inspirou em outra roda. Se inspirou na dificuldade em transportar algo pesado e desajeitado, colocou dois objetos cilíndricos embaixo de uma pedra ou um pedaço de madeira e viu que isso funcionava.

Quando vamos dar início a uma ideia, geralmente recorremos a coisas prontas que se assemelham ao que precisamos criar. É bem provável que você sempre cite aquela frase “nada se cria, tudo se copia”. Mas e se a nossa inspiração estivesse bem longe de onde geralmente procuramos?

Um dia desses eu parei para observar uma criança brincando com um cachorro. E era incrível como ela se importava mais com as reações do animalzinho, do que com o que sua mãe dizia. Logo ao lado, um pai ajudava a filha a se equilibrar em uma bicicleta e lá em cima, nas árvores, havia um pássaro observando o movimento logo abaixo do seu bico. Agora eu sei como um cachorro é importante para uma criança, o quanto um pai se sente orgulhoso e determinado ao ajudar um filho, e sei também que passarinho não só come, canta e voa, mas também observa e com um olho só, meio que desconfiado.

Consegue-se lembrar do som de um carro passando em uma poça? É impossível não lembrar. Algumas coisas prendem a sua atenção e ficam gravados na sua memória, seja pela repetição, pelo incômodo, pela frequência com que se escuta/vê aquilo ou simplesmente por te agradar. Coisas que todos se lembram e o restante – o que você não tem o costume de reparar – é tudo aquilo que só bons curiosos prestam atenção. É ali que mora aquela ideia genial e que estão guardadas todas as inspirações que tanto buscamos.

Repare em absolutamente tudo: no comportamento das pessoas ao seu redor, na maneira como as cores se comportam, em diferentes texturas, como o vento muda a forma das coisas e como a luz se comporta em diferentes objetos. Repare como o ponto de vista muda a forma e a harmonia dos elementos que compõem uma imagem e como a natureza é expert em organizar tudo que a compõe. Assista vídeos aleatórios, filmes que ninguém conhece, compre aquelas revistas que nunca leu, converse com pessoas mudas, viaje para lugares incomuns, escute histórias de idosos e crianças e torne tudo isso um hábito. Lembre-se: quem inventou a roda, não tinha uma roda para se inspirar; tinha um problema para resolver e provavelmente viu muita coisa rolar – literalmente. :)

Vou deixar aqui uma tirinha que um anjo que conheci há poucos dias me passou (beijos Luiza o/) e que retrata bem o tema acima. Originalmente postada no site Zen Pencils, os créditos são do Gavin Aung Than, e é de um texto adaptado do ilustre Charles Bukowski.

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Marcos Nascimento

Trabalha em agência como Diretor de arte. Gosta de fotografar, pintar e escrever. Escreve às segundas e terças.

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