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O que o sucesso de Beasts of No Nation tem a nos dizer?

Felipe Ferreira 16 de novembro de 2015
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Beasts of No Nation

Embora tenha sido um fracasso nas salas de cinema, Beasts of No Nation, o primeiro longa da Netflix, foi um sucesso de visualizações no streaming. Duas semanas após seu lançamento, o filme já contava com cerca de 3 milhões de transmissões, segundo o diretor de aquisição de conteúdo da empresa Ted Sarandos. A obra agradou a crítica e almeja faturar um Oscar.

A história se passa em um país africano e segue a perspectiva de Agu, uma criança que tem sua infância destruída pelos horrores da guerra civil, após ter parte de sua família morta e de ser capturada por um grupo de guerrilheiros.

O sucesso de Beasts of No Nation mostra algo maior que a simples liberdade de escolher o que e quando assistir. É um enredo diferente daquele padrão vilão contra mocinho. É tudo tão realista e o protagonista não possui poder algum para interferir na trama. Ele apenas luta por sua sobrevivência em meio ao caos. Nada daquelas “histórias de herói” tipo Tom Cruise e suas missões impossíveis ou os Avengers da vida. Não que haja descrédito aos blockbusters, mas certamente existe uma demanda por produções inovadoras (Sharknado1 !?!?) e a Netflix tem investido nisso, e investido em qualidade também.

Enquanto aqui no Brasil… Algo chama a atenção

Os Dez Mandamentos

Atualmente, observamos a queda do “casal maior” Jornal Nacional + Novela das Nove contra “Os Dez Mandamentos” da TV Record. A produção bíblica tem agitado o Projac tal como Moisés agitou o Egito. Ai você deve estar pensando que isso aconteceu devido ao caráter conservador de muitos brasileiros. É fato que a posição religiosa interferiu, mas a Record soube acrescentar bons atores, cenários e figurino, além de efeitos especiais superiores aos usados nos Mutantes. O resultado disso foi uma novela que, apesar de contar uma história já conhecida, se apresentou como uma opção agradável (e de qualidade) aos produtos globais. Será que as pessoas estavam cansadas do Leblon/Copacabana e decidiram viajar pro outro lado do Atlântico?

A Era do Conteúdo

Os exemplos de Beasts of No Nation e Os Dez Mandamentos mostram a importância de pensarmos no conteúdo, não apenas no sentido de qualidade e informação, mas também no sentido de coisas que fujam dos padrões, daquele “feijão com arroz” oferecido de forma automática. Isso porque o protagonismo das pessoas está se tornando cada vez maior diante as mídias tradicionais, e vai além da mudança de canal. Na internet, por exemplo, é possível bloquear um anúncio, cancelar uma news ou pular um vídeo. A necessidade de produzir conteúdo relevante cresce a cada dia e vai exigir muito dos profissionais de comunicação. Futuramente, ouviremos mais sobre os conteudistas, UI e UX designers, mas isso é assunto para outro post.

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Felipe Ferreira

Valorizo as mais diversas formas de comunicação e procuro sempre provocar algum tipo de reação nas pessoas. Me interesso por um monte de coisas e gostaria de ter tempo infinito para aproveitar todas elas.

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