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Crise Criativa!

Hermes Garcia 19 de novembro de 2015
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shutterstock_177781112Imagem: shutterstock.com

Diante de tantos prêmios que a publicidade brasileira ganhou é antagônico e arriscado dizer que a criatividade nacional está em crise. Perdoe-me se eu estiver errado, mas escrevo esse texto com o intuito de entender dos publicitários de plantão o que pensam sobre o assunto.

Apesar de todos os prêmios estamos mesmo em crise criativa? Sinto, talvez equivocadamente, que a criatividade publicitária, aquela capaz de mudar a história, está em declínio, está se escondendo por trás das facilidades que a tecnologia proporciona, das metas, do medo excessivo de errar que agências e empresas cultivam, dos tempos recordes para criação e dos estereótipos incutido em agências e anunciantes que insistem em contratações de perfis sempre similares, seja nos quesitos estilísticos, etários e etc…

Enquanto escrevia isso, pensei em culpar essa escassez criativa na crise econômica e política que o país se encontra, mas certamente o profissional de publicidade no Brasil sabe lidar com isso, visto que, historicamente são poucos os momentos que o país não esteve em crise.

Penso que, apesar de toda responsabilidade da profissão, é preciso esforçar-se, não apenas para superar essas dificuldades, mas sim, livrar-se delas, para quem sabe ir além do almejado Leão em Cannes, ir além de construir marcas e vender produtos, mas criar algo que venha fazer parte da cultura popular, algo que fique na boca do povo.
Obvio que diante de tantos obstáculos isso é difícil, ainda mais porque vivemos tempos que a imposição do politicamente correto está sempre pronta para agir, digo isso em relação àqueles que por falta de senso de humor estão sempre prontos para censurar fervorosamente a liberdade criativa. Talvez por isso a propaganda tornou-se medrosa, mediana, carente do humor sofisticado, inteligente, atemporal, que vai além da comicidade momentânea e superficial que é esquecida antes mesmo do cliente alcançar o produto.

Há solução para isso? Espero que sim. Assim como todo tipo de crise, essa também deverá ser passageira. Acredito que criativos devem lembrar seus clientes de que não são maquinas de produção, quem sabe colocar à tecnologia de volta na posição de coadjuvante e finalmente abrir espaço para ousadia em prol da criação feita mais por prazer do que por profissão.

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Hermes Garcia

Paulista, canhoto, estudante de publicidade que sonha em ser escritor, mas se diverte como amante da fotografia e nunca perde o interesse por sociologia.

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