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Lugar de mulher é bebendo cerveja

Rodrigo Camargo 7 de dezembro de 2015
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shutterstock_92508637Imagem: shutterstock.com

A Itaipava é um exemplo de uma das poucas marcas que ainda aposta na tradicional, pra não dizer velha, fórmula dos comerciais de cerveja. Difícil foi decorar Bhaskara, porque a fórmula “Mulher Gostosa + Produto em Evidência” já faz parte da propagada há muito tempo, porém, há muito tempo ela não funciona tão bem.

Já pensou se mudássemos as coisas?
E se as mulheres chamassem de VERÃO: um homem musculoso, alto, moreno, de olhos verdes, vestindo apenas uma sunga vermelha e servindo cerveja? Ou se ao invés disso o verão, numa pira muito louca, fosse uma estação, é, uma estação que nem primavera, outono, inverno e uma outra da qual não me lembro, onde homens e mulheres se divertissem juntos, bebessem juntos e curtissem juntos, e que a mensagem transmitida fosse a de que aquela cerveja é para todo mundo.Loucura? Bebi demais? Bom, pra não ser injusto, parece que agora a Itaipava está mudando um pouco as coisas através da bem-humorada Campanha “Horário de Verão”, mas que ainda traz a bela Aline Riscado como garota-propaganda, ou seja, olha a velha fórmula aí, gente.

A publicidade pode conquistar uma parte do mercado que está atendo a tudo que se diz, mas que nunca recebe diretamente a mensagem. Mulheres assistem televisão, ouvem rádio, leem revistas, jornais e estão conectadas às redes sociais, então, por que ainda empresas, anunciantes e agências não pensam em abordagens que se comuniquem mais com esse público? Parece que o que interessa pra elas são apenas comerciais de shampoo, absorvente, fraldas, produtos de limpeza, cosméticos e utensílios para o lar, mas isso está muito errado, afinal, mulheres também bebem cerveja, vão a churrascos e sim, assistem futebol. Elas são delicadas, mas não são de vidro, vidro mesmo, somente o copo da cerveja que elas tanto veem, mas que quase nunca são convidadas a beber.

Confira alguns números, e que não, não são de telefone.
Na classe A: 60% das mulheres consomem cerveja.
As que consomem bebidas alcoólicas: 88% bebem cerveja.
63% escolhem a marca que irão comprar.
81% escolhem a marca pelo sabor.
(Dados do Instituto Sophia Mind Pesquisa e Inteligência de Mercado)

Elas compram saltos, mas é em cima deles que elas tomam uma gelada.
Elas levam seus filhos ao colégio, mas também levam cerveja aos churrascos da galera.
Elas sonham com uma aliança no dedo, mas se por enquanto só rolar uma bera na mão, não tem problema não.
Elas demoram horas pra ficar prontas, igual a uma boa cerveja.
Se elas já consomem o produto, mesmo que a comunicação seja voltada aos homens, imagine então se as marcas mudassem sua forma de falar. 

Podemos dizer que a cerveja é unissex, por que a publicidade dela também não? Não é preciso falar do universo feminino, nem do masculino, pode-se criar situações em que ambos os públicos se encaixem, coisas cotidianas: fila do banco, trânsito, almoço em família, férias, balada. Os temas são dos mais variados, vai das marcas optarem por um e somar a ele bom senso.

Marcas que fizeram diferente:

Bohemia

Crystal

Nova Schin

Heineken

Budweiser

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Rodrigo Camargo

Curitibano, 26 anos, Redator Publicitário, formado em PP pela Universidade Positivo em 2012. Sou muito inquieto e curioso. Gosto muito da expressão "só você mesmo", pois ela geralmente vem de quem faz tudo igual e retrata quem faz tudo diferente. Define quem tenta/consegue fugir da mesmice, contrariar o óbvio e se destacar a ter que acatar.

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