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Crítica: A Garota Dinamarquesa

Fernanda Soares 15 de Fevereiro de 2016
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Muito antes de assistir já havia me interessado pela história só mesmo por ter visto o trailer. O filme retrata a vida da primeira transgênero a mudar de sexo. Baseado no livro de David Ebershoff, o longa se passa na Copenhagem em 1920.

Além de todo o brilhantismo no roteiro e toda demonstração clara de delicadeza em cada passar de cena, A Garota Dinamarquesa nos mostra dois artistas que admiram a arte, e juntos admiram um ao outro. Einar (Eddie Redmayne) já vem tendo sucesso na sua carreira com os seus quadros que retratam paisagens carregadas de dedicação e sensibilidade. Gerda (Alicia Vikander) vem em uma busca constante por esse sucesso, tentando mostrar as suas pinturas que se focam em retratos, porém mesmo sendo muito bem feitos ainda são considerados como algo normal – comum -.

Em todo o decorrer do longa é possível perceber a interação e o amor que transborda de ambos os personagens, aonde existe uma devoção mútua de respeito e carinho. Em dado momento, Gerda pede para que Einar pose com roupas femininas, despertando a partir daí uma existência escondida e adormecida dentro dele mesmo. Assim, todo o drama se inicia com a fixação do seu marido ao acordar a mulher que sempre viveu dentro de si.

O casal principal toma conta de todos os olhares e de toda a atenção do filme, carregando o enredo nos braços e tornando-o cada vez mais curioso. Ao sentir-se como mulher podemos notar toda a transformação do jeito de andar, falar, vestir e toda a expressão facial dramática, confusa e feminina se aflorarem no personagem que da um show de interpretação. Ainda sim, Gerda por sua vez, consegue se destacar provando que mesmo dentro de uma situação inesperada, a sua paixão incondicional não se perde pelo caminho ao qual optou o seu marido querendo mudar de sexo e tornar-se a encantadora e doce Lili Elbe.

Em resumo, vale muito à pena assistir A Garota Dinamarquesa, um filme que nos faz sentir a confusão, descoberta, angústia e drama que a dinamarquesa Lili Elbe passou até por fim conseguir sentir-se como sempre acreditou ter vindo ao mundo – uma mulher -. O impacto causado na vida do casal e a briga pela aceitação de Gerda também é um ponto forte que eleva ainda mais o filme para uma face humana e de acontecimentos reais. Em contrapartida acaba sendo também uma pauta sobre a questão de gênero que ainda hoje sofre muito preconceito. O final da história é surpreendente e lógico que eu não iria dar esse spoiler, então corre para assistir e tente compreender o filme com a disposição dramática e íntima que ele traz consigo.

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Fernanda Soares

Publicitária, amante de informações e nas horas vagas uma consumidora fiel de séries americanas, sem contar com a paixão pela música.

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