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Uma campanha publicitária deve conversar com o contexto da sua época

Fabio Queiroz 29 de Fevereiro de 2016
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Pensadores. É isso que nós somos ou deveríamos tentar ser. Somos exploradores da criatividade que fomenta-se transversalmente da informação dos seres. A publicidade, é a abordagem geral a qual escolhemos para nos comunicar profissionalmente dentro de um universo de saberes, que tem como causa, um conjunto de pessoas. Nossa linguagem se molda para efetivar uma comunicação. Poucas vezes soubemos utilizar-nos de nossa potencialidade profissional para inserir um produto, serviço, ou ideia dentro de um contexto social para que eles viessem a ser o signo de uma nova era. Apresento-lhes agora três cases que constituíram uma iniciativa derivada de uma observação do contexto de determinada época:

1984

16 anos após a entrada do milênio e ainda não vimos uma campanha que retratasse o lançamento de um novo produto, dentro de um contexto social, tão bem realizada como a do Macintosh computer em 1984. Além da peça ser produzida e dirigida por Ridley Scott, foi promovida em um dos maiores eventos mundiais, o Super Bowl. Com referência do livro “1984”, mesmo nome dado ao comercial, a campanha enfatiza uma nova era na comunicação tecnológica, cenário antes dominado pela IBM. Quebrando padrões instituídos pela até então empresa dominante no setor, a Apple procurou criar um novo ambiente, onde a liberdade colaborativa seria a única forma de destruir um regime totalitário. Icónica pela importância de sua realização e pelo nascimento do que viria a ser uma nova fase, este case se tornou um marco na publicidade mundial.

Vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes e de outros prêmios, a responsável pela criação foi a agência Chiat/Day, de Los Angeles, hoje introduzida com a TBWA.

O homem de 40 anos

Neste segundo anúncio iria falar sobre a campanha ‘’Meu primeiro sutiã’’, do mesmo colaborador da campanha ‘’Homem com mais de 40 anos’’: Washington Olivetto. Mudei a escolha após ler uma matéria do próprio Olivetto falando da importância que campanha, agora de fato a escolhida, gerou na sociedade em 1974. Neste ano, em anúncios de empregos publicados em jornais, uma idade máxima era imposta para profissionais. Existia o preconceito e a desinformação sobre a qualidade que homens com mais de 40 anos poderiam proporcionar para uma determinada empresa. Com o apoio do Conselho nacional de propaganda, foi escrito no dia 1º de maio daquele ano, por Olivetto, um anúncio de jornal sobre o tema. Devido à grande repercussão logo veio a realização de um VT. Emissoras de TV e cinemas cederam o espaço para a veiculação do comercial, que conseguiu chamar atenção ao ponto de criar uma lei que proibisse o uso da frase preconceituosa em classificados de jornais: “Idade máxima 40 anos”.

A campanha foi criada pela DPZ e conta com nomes que marcaram a história da nossa propaganda, como Andrés Bukowinski e Washington Olivetto. Além do mais, a campanha é o primeiro leão de ouro do Brasil no festival de Cannes.

O mundo tá chato

O‘’mimimi’’ é reflexo de uma grande parte da superficialidade em que nossa sociedade se apresenta. O termo ‘‘mimimi’’ representa a preguiça dos que não tem fundamentos para dialogar sobre um assunto, tema, ideia ou conceito, ao invés disto, o indivíduo utiliza-se de uma onomatopeia para exercer uma opinião. O mundo não está chato ou como outros diriam cheio de ‘’mimimi’’, nele, está se emergindo a liberdade de vozes que antes não tinham a oportunidade de falar, mas ganharam potencialidade com o advento da internet e suas redes e mídias sociais. Toda moeda tem o seu lado, e defendo a igualdade comunicativa para todos sem a utilização de violência verbal, física ou digital.

A Pepsi falha por não observar e não levar em conta o momento social em que estamos vivendo. Ele não é chato, mas bastante interessante quando o conhecimento e a fundamentação de temas relevantes para uma sociedade cada vez melhor é conversado de maneira inteligente, e não apenas abordado com a ideia de que o mundo está se tornando um lugar chato.

A criação é da AlmapBBDO.

A conclusão que deixo, é que o conjunto de indivíduos e seu comportamento são, e devem continuar sendo, a nossa maior fonte de inspiração. Devemos sempre defender o lado democrático e igualitário da sociedade em que vivemos. Observar e ler, para conhecer, é nossa maior fonte de pesquisa em uma era da informação ainda tão jovem. Não se esqueçam de produzir para um auditório, pensar coletivamente e distribuir informações, ideias, conceitos e campanhas que acrescentem positivamente para nossa evolução como indivíduos, consequentemente como espécie.

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Fabio Queiroz

Estudante de publicidade e propaganda apaioxonado por cinema, boa música e a ideia de um dia ser publicitário

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