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Geração de apreciadores

Tiago Bezerra 20 de Abril de 2018
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Fiz questão de entrevistar pessoas de até 24, 25, 26, 42 e 45 para entender por que a nova geração não tem interesse em se aprofundar em quase nada. O resultado foi uma perturbadora descoberta pessoal: entre nós, existe uma geração inteira de apreciadores.

Para começar, vou dar um exemplo de como era quando comecei a trabalhar como Redator, em 2006. Aquela galera toda que estava começando também, devorava anuário. A gente passava mais tempo no site do Clube de Criação de São Paulo do que no Orkut ou MSN.

André Kassu, Pernil, Eugênio Mohallen, Rynaldo Gondim, Eduardo Marques, Gustavo Sarkis, Dedé Laurentino, Wilson Mateos, Mário Cintra, Marcelo Nogueira, Sophie Schoenburg. Esses são apenas alguns dos nomes que eu venerava. Não é exagero. Eu venerava mesmo. Voltava do almoço mais cedo só pra ver anúncio por anúncio dessa galera aí. Era um ritual. E eu não estava sozinho.

Hoje, perguntei para algumas pessoas sobre nomes que admiram, ou que pelo menos já ouviram falar. Nenhum nome foi dito. Nem sequer um “aquele, Pedro alguma coisa”. Nada. Eu estava sozinho.

Fui mais a fundo e descobri que hoje em dia, boa parte dos jovens profissionais, não sabem onde querem chegar. Muitos não se interessam pela profissão a ponto de conhecer o que acontece, o que é bom, quem são as referências.

Conversando mais ainda, descobri que há uma grande quantidade de jovens que apenas apreciam assuntos. Olham, gostam, veem por um tempo e só. Quase ninguém se interessa por querer saber como aquilo é feito, quem faz, como fazer. São apenas apreciadores, voyeurs.

Confesso que isso me frustrou. E me preocupou também. Fiquei curioso sobre como vai ser a propaganda criada por essa geração. Desculpa, só consigo imaginar uma série de memes gratuitos e fora de contexto.

 

Tiago Bezerra

Redator Publicitário e Roteirista apaixonado por tecnologia, música, cinema e tudo que faz o mundo ser mais agradável.

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